Google decidiu por uma mudança de direção. Foto: Google.

O Google vai trocar de solução de software financeiro da Oracle pelo o S/4 Hana da arquirrival SAP, rodando na sua própria nuvem.

A decisão foi comunicada em um e-mail para funcionários, obtido pela CNBC. A migração deve começar em maio.

O comunicado foi enviado um dia depois da Suprema Corte americana definir em favor do Google uma disputa judicial de uma década sobre o direito de uso do framework de programação Java.

Apesar do veredito ser considerado um marco para a indústria de software como um todo, pode ser que a decisão de migrar não tenha a ver com isso. Segundo a CNBC, o Google vai seguir usando software da Oracle em outras aplicações.

Os problemas do Google com a Oracle vão muito além da briga sobre o Java. Ambas empresas competem no mercado de computação em nuvem (bom, talvez seja mais justo dizer que a Oracle tenta competir com o Google, que por sua vez tenta competir com a AWS).

Em função disso, a Oracle reluta em fechar um acordo para rodar bancos de dados e aplicações na nuvem do Google, só na versão “bare metal”, com configurações manuais, o que seria mais caro do que usar a nuvem da Oracle.

A SAP, por outro lado, já tem um acordo com o Google desde 2017 para rodar suas aplicações no Google Cloud, um acordo que vem sido ampliado desde então, incluindo um data center da multinacional alemã dentro da nuvem do Google. E, é claro, a SAP não é um player de computação de nuvem.

O Google evitou polêmicas e disse em nota que a decisão de migrar foi feita como “um cliente de software financeiro” e é “inteiramente separada” de outras disputas entre as empresas. Quem quiser, pode acreditar.

A SAP, por sua parte, decidiu fanfarronear um pouco. A conquista da conta foi confirmada oficialmente para a CNBC. No Twitter, a CMO da SAP, Julia White, deu uma cutucada: “Boa decisão! Você está em boa companhia, Google”, disse White, o que é bastante ousado para o tom sóbrio da SAP.

A Oracle sempre foi mais animada quando o assunto é provocações. Ainda em março, o fundador Larry Ellison passou boa parte de uma conferência com analistas listando 100 clientes de sistemas de gestão que a Oracle teria roubado da SAP, agregando que o número poderia chegar a “mais da metade”.

Elisson estava respondendo o CFO da SAP, Luka Mucic, que disse em setembro do ano passado que não sabia de nenhuma “substituição competitiva” de SAP para Oracle, seja lá o que isso quer dizer (Mucic, aliás, disse não faz muito que a Microsoft usava ERP da SAP, o que é verdade.). 

Mucic estava respondendo nessa ocasião a outra bravata de Elisson, que disse em março de 2020 que estava prestes a fechar negócios com 10 dos maiores clientes da SAP.

No final das contas, o debate se dava até agora sobre quem migrava mais clientes, que, apesar de enormes, ninguém conhece. Agora, a SAP migrou um cliente só, que basicamente todo mundo conhece.

Depois do anúncio, as ações da Oracle caíram levemente e as da SAP subiram 4,8%.