Pedro Conrade pode respirar aliviado. Foto: divulgação.

A Neon Pagamentos fechou um acordo com o Banco Votorantim, que substituirá o Banco Pottencial como “banco liquidante” da fintech, encerrando assim um período de incerteza iniciado na sexta-feira, 04, quando o Banco Central determinou o fechamento do Pottencial.

Não foram abertos maiores detalhes dos termos do negócio, definido como uma “parceria estratégica” em nota divulgada pela Neon Pagamentos.

Pedro Conrade, CEO da startup, afirma em comunicado que o Banco Votorantim é “uma instituição sólida, ágil e em plena transformação digital”. 

O Votorantim se considera o sexto maior banco privado brasileiro em ativos, tendo como acionistas o Banco do Brasil e o Grupo Votorantim.

Com o acordo, o Banco Votorantim assume os serviços de custódia e movimentação das contas de pagamento oferecidas pela Neon Pagamentos. 

O anúncio mostra uma reação rápida da Neon Pagamentos a uma crise que afetou a imagem da empresa (e, talvez, uma dose de oportunismo do Votorantim, que apareceu com um salva vida para uma negociação na qual a outra parte estava com água no pescoço).

A parceria da Neon Pagamentos com o Pottencial datava de 2016, quando a então startup de cartões pré-pagos Controly se associou com o banco, que passou a ser chamado Banco Neon.

As empresas mantiveram personalidades jurídicas diferentes, mas, de cara ao público, eram a mesma instituição.

Acontece que o Pottencial tinha um histórico de problemas no sistema financeiro que aparentemente seguiram baixo o nome Banco Neon. 

O BC justificou a liquidação por “graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição financeira, bem como o comprometimento da situação econômico-financeira”.

Depois da intervenção, o Neon veio a público explicar a existência das duas empresas, tratando de manter o lado “fintech” da operação limpo.

O fundador da Neon Pagamentos, Pedro Conrade, deu entrevistas incisivas afirmando que a ceder o nome Neon para o Pottencial foi um erro e que não tinha conhecimento das operações dessa parte do negócio, sendo pego de surpresa pela intervenção.

As explicações de Conrade foram rapidamente endossado pela Associação Brasileira de Fintechs (hoje com mais de 400 associados no país) e entusiastas do mercado fintech em geral.

A tese das duas empresas tem suas implicações negativas, que parecem estarem passando despercebidas para os seus próprios proponentes, como o fato de um lado de uma operação até então vista como única pelos consumidores ser tão pouco informado sobre o outro.

Seja como for, a entrada de uma instituição financeira de credibilidade como o Banco Votorantim mostra a confiança do mercado no modelo de negócio da Neon (que, aliás, levantou R$ 72 milhões de investidores um dia antes da crise com o BC).

Muita gente nesses momentos pode estar respirando aliviada, uma vez que a situação foi contornada aparentemente sem maiores consequências para o mercado de fintechs como um todo.

De acordo com uma pesquisa do FintechLab, o investimento feito por bancos e startups do setor financeiro, as chamadas fintechs, em iniciativas consideradas disruptivas chegou a R$ 1 bilhão no Brasil.

O primeiro radar da FintechLab, que mapeia iniciativas do segmento, identificou 170 ações em agosto de 2015. No ano passado, a organização contabilizou 260 iniciativas.