SEGURANÇA

Funcionários da AT&T plantaram malware após suborno

07/08/2019 14:28

O esquema de subornos durou pelo menos cinco anos: de 2012 até 2017.

Os acusados pagaram mais de US$ 1 milhão em subornos aos funcionários. Foto: Pexels.

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Funcionários da AT&T aceitaram subornos para desbloquear milhões de smartphones e instalar malwares na rede da empresa. De acordo com o ZDnet, as informações foram reveladas pelo Departamento de Justiça do Estados Unidos.

O Departamento de Justiça acusou Muhammad Fahd, um homem de 34 anos do Paquistão, e Ghulam Jiwani, que o órgão acredita ter falecido, de pagar mais de US$ 1 milhão a vários funcionários da AT&T que atuam no centro de atendimento ao cliente da empresa, em Washington.

O esquema de subornos durou pelo menos cinco anos: de 2012 até 2017. Inicialmente, os dois homens paquistaneses subornaram funcionários da AT&T para desbloquear iPhones, com o objetivo de utilizá-los ​​fora da rede da operadora.

As abordagens aos colaboradores foram feitas via telefone ou mensagens no Facebook. Os funcionários que concordaram com o esquema receberam listas de códigos de telefones (IMEI) que deveriam desbloquear por determinadas quantias em dinheiro.

Os funcionários recebiam os valores em contas bancárias de empresas-fantasmas que criavam ou em dinheiro.

Essa fase inicial do esquema durou cerca de um ano, até abril de 2013, quando vários funcionários foram foram demitidos pela AT&T ou escolheram deixar a empresa.

Depois, Fahd mudou de tática e subornou os colaboradores para instalar malwares na rede da call center da AT&T. Entre abril e outubro de 2013, o malware inicial coletou dados sobre o funcionamento da infraestrutura da operadora.

Os homens criaram um segundo malware, que utilizou credenciais de funcionários da AT&T para executar ações automatizadas no aplicativo interno da empresa, desbloqueando telefones sem precisar de interação com os colaboradores.

Em novembro de 2014, quando Fahd começou a ter problemas para controlar o malware, ele também subornou os funcionários para instalar pontos de acesso sem fio sem autorização dentro do call center. Os dispositivos ajudaram Fahd a ter acesso aos aplicativos e à rede interna da AT&T e continuar com o esquema de desbloqueio.

O Departamento de Justiça do Estados Unidos informa que Fahd e Jiwani pagaram mais de US$ 1 milhão em subornos aos funcionários. Eles desbloquearam com sucesso mais de dois milhões de dispositivos, a maioria iPhones. 

Um funcionário da AT&T recebeu mais de US$ 428 mil ao longo de cinco anos.

Fahd foi preso em Hong Kong em fevereiro de 2018 e extraditado para os EUA no dia 2 de agosto, na semana passada. Ele enfrenta uma série de acusações que podem mandá-lo para a prisão por até 20 anos.

A AT&T estima a perda de receita com o esquema de desbloqueio chegue a mais de mais de US$ 5 milhões.

"Temos trabalhado de perto com as forças da lei desde que este esquema foi descoberto para levar esses criminosos à justiça e estamos satisfeitos com esses desenvolvimentos", disse um porta-voz da AT&T ao ZDNet. 

A empresa garante que o incidente não envolve acesso aos dados pessoais dos clientes.

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