Modo de comprar tecnologia em Brasília está mudando. Foto: flickr.com/photos/42042512@N00

O governo federal prepara a compra de 160 mil licenças da suíte de escritório Office 365, a um custo estimado de R$ 48,71 milhões, no que é uma das maiores aquisições de tecnologia do tipo já feita em Brasília.

De acordo com o edital publicado nesta terça-feira, 06, serão dois lotes: sendo o primeiro para 105,2 mil versões do Office 365 Enterprise (F3, E1, E3 e E5), calculadas em R$ R$ 37,17 milhões; e outro para 55,3 mil do Office 365 Educational (A3 e A5), por R$ 11,53 milhões.

As licenças irão para um total de 148 órgãos (88 interessados na versão enterprise e 60 na versão educacional) que indicaram participar da ata de registro de preços, o que é também sem precedentes.

De acordo com um estudo do governo federal, havia intenções de compra de R$ 67 milhões com suítes de escritório em diferentes partes da administração pública para 2020.

A mega compra de Office 365 mostra a nova maneira de fazer as coisas que parece consolidada em Brasília, comprando tecnologia de fornecedores privados no atacado no lugar de desenvolver software open source.

A diferença entre o valor estimado para as compras individuais e a do edital coletivo é mais ou menos os 22% que o governo federal fez a Microsoft aceitar em julho.

O desconto vale para uma tabela de 2 mil produtos, indo desde ferramentas de colaboração e produtividade, desde o Office 365 até serviços da plataforma de dados da Microsoft, incluindo BI e Analytics. 

A partir da publicação do acordo, órgãos públicos só podem adquirir produtos da Microsoft seguindo os valores máximos estipulados, já com o desconto. 

Recentemente, o governo fez a mesma coisa com Adobe e Broadcom (para a linha de produtos Symantec), impondo descontos de 22,49% para a primeira e de 21,67% para a segunda, em ambos os casos para 11 produtos e serviços. 

A meta é chegar a uma média de 20% de desconto entre todos os grandes fornecedores até 2022.

A estimativa do governo é que a economia com os descontos fique em pelo menos R$ 112 milhões em 2020. 

A decisão do governo de comprar no atacado elimina muitas pequenas licitações que os diferentes órgãos fariam para comprar os produtos da Microsoft, gerando uma situação de “winner takes it all”.

Agora é ver como os descontos e o incentivo para ganhar a licitação ou ficar sem nada vão afetar o comportamento das empresas habilitadas para a Microsoft a vender para o governo no Brasil.

Os chamados “LSPs”, ou large solution partners, que podem negociar com o setor público no país são 12, uma lista que inclui grandes empresas brasileiras como Brasoftware, Teltec e Solo Network; distribuidoras de software como Ingram Micro e Lanlink, além de multinacionais como Logicalis, Softline e Software One.

Para conceder a autorização para vender ao governo, a Microsoft realiza um processo de avaliação com uma série de critérios, entre os quais, capacidade financeira, aderência às políticas de compliance, estrutura de pré-vendas, vendas e pós-vendas, marketing, operações, histórico de vendas e capilaridade de clientes.