Alunos do Senai, um dos parceiros do novo financiamento. Foto: Divulgação.

Segue a multiplicação dos fundos disponíveis para projetos relacionados com Internet das Coisas. Senai, BNDES e Embrapii acabam de lançar uma chamada com R$ 15 milhões para empresas interessadas em experimentar Internet das Coisas em seus processos produtivos.

Os valores vão ser investidos na construção de ambientes de testes de soluções tecnológicas (testbeds), plataformas estruturadas em ambientes controlados que reproduzem um cenário real. 

A estrutura para os testes será implantada na rede de Institutos Senai de Inovação, vai ficar disponível para as demais empresas de cada segmento atendido. 

Os recursos serão aplicados, por exemplo, em obras de infraestrutura de laboratórios, na compra de equipamentos nacionais, importados e de softwares, na remuneração da equipe, entre outras despesas necessárias para a realização dos projetos.

Esses experimentos trazem benefícios para as empresas participantes, pois é possível reproduzir as condições específicas de seu ambiente fabril de forma otimizada sem paralisar a linha de produção. Além disso, há redução de riscos e custos de implantação de novas tecnologias.  

O prazo dos testbeds é de três anos, dos quais pelo menos dois anos serão de execução dos projetos. Os segmentos prioritários da chamada são as indústrias automotiva, têxtil, mineradora e de óleo e gás.

“Os testbeds serão usados para difundir a internet das coisas, especialmente entre as pequenas e médias empresas, que não teriam condições de desenvolver tais tecnologias com recursos próprios”, resume o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

Cada projeto terá financiamento mínimo de R$ 1 milhão, dos quais serão destinados recursos não-reembolsáveis que poderão chegar a 50% dos itens financiáveis.

A contrapartida das empresas poderá ser por meio de outros instrumentos de crédito do BNDES ou de parceria com os Institutos Senai de Inovação.

Os últimos meses tem visto uma série de anúncios relacionados ao financiamento de projetos de IoT.

Em julho, o BNDES anunciou a disponibilidade de R$ 20 milhões em financiamento a fundo perdidos para iniciativas ligadas a Internet das Coisas.

Na mesma época, a Finep anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 1,5 bilhão para apoiar iniciativas ligadas a IoT.

Essa iniciativa é de empréstimos subsidiados, voltados a empresas mais adiantadas no processo, com receita operacional bruta a partir de R$ 16 milhões. 

O valor mínimo das operações é de R$ 5 milhões.

O dinheiro estava disponível para financiar desenvolvimento de soluções de IoT em cidades Inteligentes, saúde e ambiente rural feitas por instituições tecnológicas públicas ou privadas sem fins lucrativos.

O valor mínimo a ser liberado pelo BNDES é R$ 1 milhão, limitado a 50% de cada projeto. A outra metade deve ser contrapartida de quem levar o dinheiro.

Na mesma época, a Finep anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 1,5 bilhão para apoiar iniciativas ligadas a IoT.

Essa iniciativa é de empréstimos subsidiados, voltados a empresas mais adiantadas no processo, com receita operacional bruta a partir de R$ 16 milhões. 

O valor mínimo das operações é de R$ 5 milhões.

O governo federal tem feito muito barulho em torno do assunto de IoT como um viabilizador da chamada Indústria 4.0, na qual sensores em maquinário e produtos combinados com softwares analíticos abrem uma série de novas possibilidades.

O estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”, realizado pelo BNDES e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), aponta a tecnologia como estratégica para o país. 

Segundo o trabalho, até 2025, o impacto potencial no Brasil do uso de IoT é de US$ 50 bilhões a US$ 200 bilhões por ano, valor que representa cerca de 10% do PIB. 

A avaliação é que a tecnologia é capaz de produzir mais efeitos positivos do que a robótica avançada, as tecnologias cloud e a internet móvel.

De acordo com o estudo, o uso de IoT pode, por exemplo, agregar valor a produtos de exportação do país, ao reduzir o custo de produção; aumentar a produtividade por meio do redesenho do trabalho, entre outras vantagens. 

O secretário de Política de Informática do MCTIC, Maximiliano Martinhão, disse que o investimento em IoT será um marco para a economia brasileira, comparável ao processo de privatizações ocorrido na década de 1990.

Além disso, pode ajudar a diminuir o chamado “custo Brasil” ao aumentar a eficiência logística, assim como reduzir processos e trâmites excessivos e lentos.

Falando em custo Brasil, um acontecimento recente nos últimos meses foi a decisão de não considerar a tecnologia como como um serviço de telecomunicações.

Com isso, o setor deverá ter uma carga tributária específica e não os atuais 45% pagos atualmente pelos serviços de telecomunicações.