SÉRIO?

E-mails do CEO somem na Odebrecht

08/03/2016 09:28

Segundo o chefe de TI, a conta não pode ser recuperada por falta de backup.

A conta de e-mail de Marcelo Odebrecht "sumiu" dos servidores do grupo. Foto: Divulgação.

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Alessandro Tomazela, chefe de Tecnologia de Informação do Grupo Odebrecht, não cumpriu uma ordem judicial para entregar cópia de todas mensagens de e-mail relacionadas à conta de "mbahia", utilizada por Marcelo Odebrecht, presidente da organização, preso desde junho de 2015.

Marcelo Odebrecht foi condenado nesta terça-feira, 8, a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A justificativa apresentada por Tomazela para não entregar as mensagens, segundo a Folha de S. Paulo, foi a de que a conta de e-mail "sumiu" e não pode ser recuperada por falta de backup nos servidores do grupo Odebrecht.

O armazenamento dos e-mails do grupo é feito no Panamá, mas Tomazela, que tem acesso remoto aos servidores, afirmou não ter encontrado os registros da conta do dono da empreiteira nem nos backups, também negando que esses tenham sido apagados.

Tomazela foi ouvido em São Paulo no dia 22 de fevereiro, quando a PF deflagrou a fase Acarajé da Operação Lava Jato, que tinha o marqueteiro do PT João Santana como alvo. 

O chefe de tecnologia não ofereceu uma explicação clara para o sumiço dos arquivos da conta de e-mail mbahia, que existia até 31 de janeiro. Segundo ele, dados de e-mails são automaticamente excluídos quando alguém se desliga da Odebrecht, sem que o setor de recursos humanos notifique o setor de tecnologia. 

Tomazela relatou que o backup só é feito para e-mails com até 3 GB, enquanto contas com mais de 10 GB não têm backup. A explicação, no entanto, não faz sentido, pois quanto mais alto é o cargo de responsabilidade dos executivos, maior costuma ser o espaço de armazenamento dos e-mails.

Antes de ingressar no grupo Odebrecht, Tomazela atuou na Braskem por quase 10 anos, em funções como gerente de Sistemas da Informação e coordenador de Sistemas Corporativos.

Na Odebrecht, outras duas contas também sumiram dos registros. Elas pertencem a Fernando Migliaccio e Hilberto Mascarenhas – executivos suspeitos de serem os operadores das offshores que fizeram pagamentos ao marqueteiro João Santana e a executivos da Petrobras em contas secretas na Suíça. 

Migliaccio foi preso na Suíça em fevereiro por tentar encerrar contas no país. Já Mascarenhas figura como controlador de contas suíças em nomes de offshores usadas pela Odebrecht, segundo as investigações. 

Segundo a Folha, que procurou a Odebrecht, a empresa afirma que que Marcelo Odebrecht se afastou da presidência do grupo em 9 de dezembro, quando  "foram colocados em prática os procedimentos de desligamento, como ocorre com qualquer integrante na mesma situação".

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