Microsoft prepara onda de demissões na divisão de hardware de celulares. Foto: divulgação.

A Microsoft anunciou nesta quarta-feira, 08, o corte de 7,8 mil empregos, a maioria em seu negócio de hardware de celulares, em um esforço para reduzir custos e simplificar operações.

Segundo reporta a Reuters, os cortes fazem parte do plano para uma baixa contábil de 7,6 bilhões de dólares relacionada à aquisição do negócio de celulares da Nokia, realizada em 2013 em uma transação de US$ 7,9 bilhões.

A informação foi passada aos colaboradores pelo presidente Satya Nadella, que há tempos encontra dificuldades em reestruturar negócios na parte de seus aparelhos móveis.

A Microsoft Brasil confirmou que a má notícia deve chegar na sua operação brasileira, embora não tenha mais detalhes de como será afetada. No país, a empresa conta com 2,4 mil postos de trabalho.

Segundo dados financeiros da MS em 2014, a companhia registrou perdas de US$ 0,12 por aparelhos Windows Phone perdido. Resumindo, a companhia gastou US$ 1,8 bilhão para contabilizar US$ 1,4 bilhões de telefones.

Os cortes, que serão realizadas durante os dois próximos meses, chegam em adição às 18 mil demissões - 14% da força de trabalho da companhia - anunciadas pela companhia no ano passado, um dos maiores volumes de desligamento de funcionários na história da TI, segundo analistas.

Para explicar a decisão, Nadella afirmou em comunicado que o plano é migrar de uma estratégia de impulsionar um negócio específico de telefones para estimular um ecossistema abrangente em torno do Windows.

"A curto prazo, queremos manter um portfólio mais eficaz e focado, enquanto retemos nossa capacidade para reinvenção em mobilidade a longo prazo", explicou o CEO da Microsoft.

Para analistas, a decisão de Nadella chega para corrigir um provável erro da administração de Steve Ballmer, que desembolsou bilhões em uma tentativa de alavancar "na marrra" a marca Windows Phone, através da compra da Nokia.

Embora a plataforma tenha desfrutado em um crescimento constante nos últimos anos, se firmando como o terceiro sistema operacional no ranking. Mesmo assim, existe um abismo o sonho de ser competitivo e a realidade. De acordo com o IDC, iOS e Android representam 96,3% do market share - Windows Phone representa 2,7% deste bolo.

Considerado um gestor nato, o atual CEO mudou o foco da companhia no segmento móvel, deixando um pouco de lado o hardware e apostando no ecossistema e nas aplicações. O movimento incluiu a compra de serviços como Wunderlist, Sunrise, e Acompli.

Além disso, Nadella também passou a estimular a aparição de seus renomados softwares, como Office, OneNote, OneDrive e Skype para iOS e Android. Um caso evidente é o do Tossup, um app de planejamento de eventos que nem foi oferecido no Windows Phone.

A mudança se refletiu também entre os desenvolvedores. No Build 2015, a multinacional mudou o discurso de fortalecer seu ecossistema de aplicações no Windows Phone, passando a pregar uma maior integração entre diferentes plataformas - próprias e de terceiros - com mecanismos para facilitar ports de apps.

Para completar, vale lembrar que o app Cortana, considerada a Siri dos sistemas Windows foi anunciada para dispositivos Android e iOS.

Esse redesenho faz parte de um plano abrangente que a empresa deve deflagrar com o lançamento do Windows 10, que promete uma integração maior entre aplicações e funcionalidades através de diferentes dispositivos - smartphone, PC, tablets e Xbox.

Para analistas, o resumo da ópera é simples: Nadella aos poucos foi admitindo que não tem chances de ganhar na guerra de smartphones. Então uma mudança de estratégia foi necessária, abandonando o plano de aplicações e dispositivos - não esqueçam o Surface! - para apenas aplicações, o seu tradicional carro-chefe.

"Quando você está está apenas vendendo software, você precisa ter seu produtos em todos os lugares, disponível para o maior número de clientes possível. Conquistar o público por seus softwares e serviços é um jogo que a Microsoft ainda pode ganhar", afirmou Darren Orf, do Gizmodo.