Michael Dell. Foto: divulgação.

Em meio a um mercado global de PCs em recessão, Michael Dell sugeriu uma saída ousada para que os fabricantes de computadores pessoais recuperem seu fôlego no segmento. Para o executivo, a palavra de ordem é "consolidação".

Segundo o presidente da Dell, as três maiores marcas do segmento - Lenovo, HP e Dell - tem o poder de concentrar cerca de 80% do segmento em seu poder nos próximos anos, uma forma de manter resultados positivos, mesmo em um mercado em queda ou estagnado.

O lado positivo disso tudo vem do IDC, que apontou queda de 8,7% nas vendas de PCs em 2015, índice maior que os 6,2% registrados em 2014. Entretanto, a consultoria estima que em 2017 os computadores pessoais podem recuperar o crescimento.

Esta pode ser uma boa notícia para empresas como Lenovo, que detém 20,3% do mercado global e HP, que conta com um share de 18,5%. A Dell ocupa o terceiro lugar nesta disputa, com uma fatia de 14,5% do mercado. A informação é da Reuters.

Para Michael Dell, por outro lado, a Dell ainda está viva nessa briga, e espera diminuir a diferença nos próximos anos, caso os prognósticos do IDC se concretizem.

"No primeiro semestre deste ano, já passamos as outras duas marcas em notebooks e registramos dez trimestres seguidos de crescimento", afirmou o presidente da fabricante em evento na Índia durante o final de semana.

Vale lembrar que em 2013 a Dell fechou seu capital por cerca de US$ 25 bilhões, em uma manobra capitaneada por Michael Dell e o fundo de investimentos Silver Lake Partners, controlado por Dell.

"Ser uma companhia privada certamente nos ajudou a focar nosso futuro em 3, 5, 10 para a frente e sair da orientação de curto prazo que prendem geralmente as empresas de capital público", avaliou o CEO.

A mudança de perfil na parte administrativa também teve reflexos na estratégia de negócios da fabricante, que também mostrou esforços para aumentar sua presença no segmento de serviços e produtos corporativos, competindo com marcas como HP e IBM.

"Ao nos tornarmos uma companhia de capital privado, focamos 100% de nossos recursos e energia para o sucesso de nossos clientes, com esforços em canais, software, PCs, cloud, entre outros", destacou o executivo.

O discurso entra em linha com a posição destacada por Dell em novembro do ano passado durante o Dell World, evento acompanhado pelo Baguete em Austin, no Texas (cidade-natal da multinacional).

Apesar da diversificação, o presidente da companhia descarta planos de entrar no mercado de smartphones, área em que rivais como Microsoft (com a Nokia) e Lenovo (com Motorola) investiram nos últimos anos.

A empresa já teve uma experiência malfadada no setor, quando em 2010 lançou um aparelho próprio com sistema Android. Entretanto, após vendas fracas, em 2012 a empresa suspendeu seus planos e desde então não falou mais nisso.

Segundo o executivo, apenas uma ou duas companhias atualmente tem operações lucrativas no segmento de dispositivos móveis, enquanto todo o resto apenas compete para não perder dinheiro.

"Então não, obrigado. Eu não quero entrar no mercado de smartphones", disparou Dell.