UnitedHealth fez proposta bilionária e comprou a brasileira Amil. Foto: flickr.com/photos/travisv.

A norte-americana UnitedHealth fechou a compra da Amil Participações por R$ 11 bilhões, em um ato que selou sua entrada no mercado brasileiro de planos de saúde.

Com a compra pela companhia norte-americana, o fundador da Amil, Edson de Godoy Bueno, e sua sócia Dulce Pugliese continuarão a ter participação remanescente de 10% na empresa por ao menos cinco anos.

A UnitedHealth e a Amil esperam aprovação do negócio pelos órgãos brasileiros no quarto trimestre de 2012.

OPORTUNIDADE
"Se associar com a Amil é a oportunidade de crescimento mais atraente que vimos em muito tempo", disse o presidente da UnitedHealth, Stephen J. Hemsley, em comunicado.

Segundo o executivo, o Brasil é um "mercado com alto potencial de crescimento", com acentuada ascensão da classe média e políticas de estímulo ao setor de saúde suplementar.

A UnitedHealth anuncia a compra em um momento estratégico, em que investidores estrangeiros mostram cautela com o Brasil, diante do aperto em setores regulados por agências federais, incluindo a saúde.

Na semana passada, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu por três meses a venda de 301 planos de saúde, administrados por 38 operadoras.

Segundo a agência, as operadoras continuaram a descumprir prazos máximos de atendimento para consultas, exames e cirurgias. A Amil não aparece na lista de planos suspensos.

Nos EUA, as provedoras de planos de saúde também sobres pressão, com o governo federal controlando os reembolsos por seus programas Medicaid e Medicare para pobres e idosos, assim como se acirra a competição de planos de saúde corporativos.

Com a Amil, a UnitedHealth amplia sua aposta em mercados internacionais. A empresa já iniciou operações ou fechou alianças na Austrália, no Oriente Médio e no Reino Unido nos últimos dois anos.

ETAPAS DO NEGÓCIO

A receita da Amil em 2012 deve chegar a cerca de 5 bilhões de dólares, crescimento de 15 por cento sobre o ano passado. O grupo oferece planos de saúde e odontológicos para mais de 5 milhões de pessoas.

A Amil tem rede própria de 22 hospitais e cerca de 50 clínicas, e afirma ter a maior rede credenciada do Brasil com 44 mil médicos, 3,3 mil hospitais, aproximadamente 11 mil clínicas e 12 mil laboratórios e centros de diagnóstico por imagem.

A empresa norte-americana espera colher benefícios estimados em 600 milhões de dólares, reduzindo o valor efetivo da compra para 4,3 bilhões de dólares.

Nos Estados Unidos, a UnitedHealth conta com cerca de 70 milhões de associados, com um lucro de US$ 10 bilhões registrado em 2011.

SAÚDE EM ALTA

Além da venda da Amil, outras transações vêm movimentando o mercado de saúde no Brasil nos últimos meses.

Na semana passada, a rede de clínicas de diagnóstico por imagem Papaiz foi adquirida em conjunto pelo Grupo Fleury e Odontoprev, com valores não divulgados.

Outra venda de peso foi a do laboratório Sanobiol, que foi adquirido em junho pela farmacêutica paulista Cristália, por R$ 100 milhões.

TI SAUDÁVEL

O segmento de TI para a saúde também vai bem, obrigada.

Só em Santa Catarina, foram quatro negócios entre 2011 e o que vai de 2012.

O mais recente, a aquisição da catarinense Manager Systems pela 7 Medical Systems, do segmento de gestão sob demanda de imagem digital.

Antes disso, a Siemens anunciou a abertura de uma estrutura em Joinville, o que será sua 14ª fábrica no país, onde irá produzir equipamentos de medicina por imagem.

Intel e Philips também investiram no estado.

A primeira, por meio do braço de investimentos Intel Capital, anunciou em dezembro de 2011 sua entrada no mercado de TI para saúde na América Latina com aporte na Pixeon, de Florianópolis.

No caso da Philips Healthcare, o investimento foi a compra da Wheb Sistemas, de Blumenau, no começo do ano passado.