ERP

Axis assume X3 da Sage no América Latina

08/12/2021 09:03

Produto vem tentando decolar no Brasil desde 2015. Será que agora vai?

José Luiz Moço.

Tamanho da fonte: -A+A

A Sage, multinacional inglesa de sistemas de gestão, acaba de fechar um acordo com a Axis, tornando a brasileira a distribuidora master no Brasil do X3, seu ERP voltado para empresas médias.

A Axis é uma joint venture entre o grupo brasileiro de investimentos TechTrends e a Xplor, empresa portuguesa que é um dos maiores parceiros no mundo da Sage.

Em nota, a empresa aponta que a sua meta é triplicar base instalada em cinco anos, “competindo em nível de igualdade com líderes de mercado”.

Quem são os líderes está claro: trata-se principalmente a Totvs, outros players de ERP brasileiros e a SAP, que nos últimos anos decolou no país o Business One, seu produto para empresas menores.

Sobre a base atual, a partir do qual quer atingir essa meta, a Axis revela apenas que tem uma base de 3 mil usuários na América Latina, atendida por oito parceiros, cinco deles no Brasil, dois na Argentina e um no Perú.

A Axis está assumindo também o time de 16 colaboradores da Sage no país e está aumentando o total para 29.

O número total de usuários ativos é um indicador complicado para avaliar a base total de clientes. 

O estudo anual sobre o mercado de TI feito pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) define uma empresa média como algo entre 170 e 700 usuários, uma baliza pela qual a Sage pode ter entre 18 e quatro clientes.

“Sabemos que nossas metas são ambiciosas, mas temos um caminho claro a seguir que nos possibilitará chegar onde almejamos”, afirma o CEO da Axis José Luiz Moço.

De acordo com Moço, o plano é intensificar nos próximos 18 meses a atuação no Sul e Sudeste, onde a empresa já atua, além de levar o X3 para capitais no Nordeste e Centro-Oeste.

A ideia é também ampliar o escopo, hoje limitado à vertical de indústrias, agregando produtos de outras empresas da TechTrends como automação fiscal e contábil, gestão de riscos, governança, compliance, entre outras. 

A Sage trouxe o X3 para o Brasil em 2015, três anos depois de uma sequência de aquisições de empresas locais de software de gestão para contadores nas quais gastou cerca de R$ 500 milhões.

Os ingleses acabaram dando para trás e vendendo em março de 2020 as soluções oriundas dessas aquisições para o ex-presidente da empresa no país, Jorge Carneiro, por um valor de £ 1 milhão pagos à vista, e outros £ 9 milhões em um prazo e condições não reveladas.

Na época, a Sage disse que manteria uma presença própria, focada em trabalhar as suas soluções oferecidas em nível mundial, como o X3.

Na sua nota, a Axis explica que a Sage vinha fazendo “gerenciamento à distância dos negócios relacionados ao X3 no Brasil” até identificar um parceiro para assumir o papel de distribuidor master.

A Axis não é a primeira joint venture da Xplor e da TechTrends focada no mercado X3.

Ambas empresas lançaram a Xplor Latin America em 2019, também sob o comando de Moço, um executivo da TechTrends com experiência no mercado de ERP. As empresas não abrem qual foi o número de clientes fechado pela operação.

A Xplor também fez uma tentativa solo em 2018, quando abriu uma subsidiária local sob o comando de  Sergio Fabiano Mattos Botelho, um executivo experiente no mercado de ERP do Brasil, com passagens por cargos de diretoria na Benner, Senior e Datasul.

Botelho não está mais na Xplor. O executivo montou a Fokus, uma consultoria também focada na tecnologia da Sage.

O resumo é que entre as tentativas solo iniciais da Sage e da Xplor, mais a primeira joint venture entre Xplor e TechTrends, a nova Axis é a quarta tentativa de peso de emplacar o X3 no país.

Será que agora vai? O fato é que, com uma receita de £ 1,84 bilhão, a Sage é uma potência mundial em ERP (mais da metade da base de clientes fica nos Estados Unidos e Reino Unido). 

O Gartner aponta a marca como uma das cinco maiores fabricantes de software do mundo.

Por outro lado, o mercado brasileiro de ERP está consolidado sob liderança da Totvs, mas não parou de crescer. A IDC prevê alta de 12,6% nos gastos com soluções de finanças, contabilidade, gestão de pessoas e ativos, controle de produção, logística, cadeia de suprimentos e outras, para US$ 3,4 bilhões em 2022.

A Sage tem inclusive um exemplo próximo no país para se inspirar. A SAP trouxe o Business One, seu ERP para pequenas e médias, ainda em 2005, fazendo muito barulho.

Mas a verdade é que a multinacional alemã também se atrapalhou bastante na largada, tendo problemas com parceiros e algumas implementações problemáticas que quase queimaram o B1.

A companhia continuou insistindo, formando no final um ecossistema de 150 empresas trabalhando com implementação do produto, atendendo 7,5 mil clientes no Brasil, o que é uma cifra respeitável em um universo de 70 mil clientes em todo o mundo.

Veja também

TROCA
Migrone, ex-SAP, está na Zendesk

Profissional vai liderar a área de marketing para América Latina na empresa.

APARTAMENTOS
Loft adota Netsuite da Oracle

Implementação do ERP foi entregue em quatro meses pela Active.

ERP
SPS traz Amauri Garroux

Novo sócio tem uma grande bagagem no tema SAP B1.

BOTS
Sankhya compra Neppo

Empresa de ERP agrega funcionalidades de omnichannel no seu produto.

LISTRAS
Adidas roda S/4 na AWS

Gigante de moda parece não ter dado bola para ofertas da SAP.

GRÃOS
NovaAgri migra para o S/4 Hana

Companhia de agronegócio era usuária do Dynamics, da Microsoft.