Luciano Hang.

A rede varejista catarinense Havan fechou o ano passado com um faturamento de R$ 7 bilhões, uma alta de 40% frente aos resultados de 2017.

Para 2019, a meta é manter o ritmo, crescendo 42%, para atingir R$ 10 bilhões, além de abrir 20 novas lojas, levando o total a 140. Com isso, a empresa passará de 16 mil colaboradores para mais de 20 mil.

A Havan não costumava abrir esse tipo de dados. A divulgação pode ser lida de duas maneiras.

Por um lado, o crescimento mostra que o engajamento do dono na campanha do presidente Jair Bolsonaro não trouxe consequências negativas.

Ao mesmo tempo, a nota parece estar orientada a ajudar a construir uma agenda econômica positiva para o novo governo.

“Esse é o Brasil que queremos, com a geração de empregos e o crescimento da economia”, afirma  o dono da Havan, Luciano Hang.

Filho de operários do setor têxtil, Luciano Hang começou a carreira com uma loja de 45 metros quadrados especializada em tecidos importados em Brusque, a 100 quilômetros de Florianópolis, ainda nos anos 80.

Com a abertura econômica no governo Collor, Hang apostou em importados para vender em lojas de R$ 1,99, o que depois evoluiu para um conceito de lojas de departamentos.

Segundo uma reportagem recente da Exame, Hang toca o negócio "praticamente sozinho". 

Muitas das lojas da Havan são decoradas com uma reprodução da Estátua da Liberdade de 33 metros de altura. Nos últimos meses Hang, começou a ter um perfil mais público.

A exposição chegou ao máximo durante a campanha eleitoral, quando, além de dezenas de vídeos nas redes sociais, Hang também foi acusado por uma matéria da Folha de São Paulo de bancar disparos de mensagens pelo WhatsApp para Bolsonaro.

Em entrevista com o El Pais, Hang afirmou que a falta de presença do empresariado na vida política do país no passado é o "que levou o país à situação atual". 

"Acho que a falta de entrosamento político da classe empresarial levou o país à situação em que nos encontramos hoje. Houve uma terceirização da política a pessoas de mau caráter, corruptas, comunistas, socialistas e vigaristas", lamenta.

O dono da Havan não acredita que seu envolvimento explícito com um candidato político seja prejudicial aos negócios. "Quanto mais eu falo a verdade, mais eu vendo", afirmou ao El Pais.