Karine Medeiros, a nova head de marketing da ThoughtWorks.

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A ThoughtWorks deu um toque mais corporativo à sua diretoria, com a contratação de duas executivas para assumirem o cargo de head de Recrutamento e Seleção e head de Marketing.

Karine Medeiros, a nova head de marketing, veio da IBM, onde esteve nos últimos anos e chegou a ser head de Marketing para IBM Services em nível América Latina.

Já nova head de Recrutamento e Seleção, Carla Catelan, está vindo da Cognizant, onde era diretora de Talent Aquisition para América Latina. Catelan tem passagem pelas áreas de RH da DXC e HP.

"Estamos trazendo para o time pessoas que vão nos ajudar a impulsionar a nossa visão estratégica e a agenda de crescimento", afirma Caroline Carbonell Cintra, diretora-presidente da ThoughtWorks.

Ainda no ano passado, a ThoughtWorks contratou Carlos Gordilho, ex-IBM e Accenture, para o cargo de Head de Demand.

Ao todo, a ThoughtWorks tem outros seis heads de diferentes áreas, entre os quais predominam profissionais com mais anos de casa e um currículo menos corporativo, com passagens pela pesquisa em universidades, por exemplo. 

As exceções são os heads de Finance e Legal, mas aí é difícil ser diferente.

A discussão sobre se uma corporação com 7 mil funcionários em 15 países contrata pessoas com perfil corporativo ou não pode parecer estranha, mas só para quem não conhece a ThoughtWorks.

Fundada em 1993, a empresa tem uma reputação forte entre jovens profissionais, construída pelo pioneirismo no tema métodos ágeis (um dos principais executivos é Martin Fowler, um dos 17 signatários originais do Manifesto for Agile Software Development) e o engajamento pronunciado em pautas sociais, como apoio a ONGs, acesso de mulheres e minorias ao mercado de trabalho, etc.

Era um posicionamento que, uma década atrás, colocava a ThoughtWorks fora do mainstream de grandes empresas de tecnologia como IBM ou HP, que ainda estavam engatinhando, se muito, nessas pautas.

No meio tempo, algumas coisas aconteceram. Uma é que a ThoughtWorks cresceu muito. Um grupo de fundos de investimento liderados pela Apax Partners comprou o controle da empresa em 2017.

No começo do ano,  o GIC, um dos fundos soberanos de Cingapura, e a Siemens, gigante industrial alemã, colocaram mais US$ 720 milhões na empresa, um aporte que avalia a Thoughtworks em US$ 4,6 bilhões.

Os investidores professam respeitar a cultura interna da ThoughtWorks, mas a verdade é que capital neste volume traz exigências.  

Por outro lado, a verdade é se a ThoughtWorks ficou mais como o mercado em geral, o mercado em geral ficou muito mais parecido com a ThoughtWorks, e hoje em dia a pauta de inclusão de mulheres e minorias que fazia a companhia um ponto fora da curva há 10 ou 15 anos hoje está mais próxima da regra, pelo menos entre as grandes multinacionais de TI.

O desenvolvimento de softwares com uso de metodologias ágeis também está mais próximo de ser o mainstream, sendo a prática predominante entre as novas startups de tecnologia e um approach em alta mesmo no que antes se denominavam “fábricas de software”, um termo que a ThoughtWorks ajudou a tirar de moda.

A ThoughtWorks chegou ao Brasil em 2010, abrindo uma operação no Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS em Porto Alegre. Depois foram agregados São Paulo, Recife e Belo Horizonte. 

Em 2017, a empresa tinha 515 funcionários no país. A empresa aparece com frequência em rankings de melhores para trabalhar e tem bastante apelo com jovens profissionais.