DÍVIDAS

Superlógica assume condomínio atrasado

09/06/2021 11:55

Entre 14% e 18% dos brasileiros atrasam o boleto do condomínio. Uma mina de ouro.

Milhares de condomínios estão atrasados nessa foto. Foto: Pexels.

Tamanho da fonte: -A+A

A Superlógica, uma das maiores empresas de software para gestão de condomínios do Brasil, montou uma operação financeira, pela qual vai assumir a cobrança de moradores inadimplentes com as prestações do seu condomínio.

Em nota, a informa que vai pagar os valores devidos, menos uma “taxa de serviço”, assumindo depois os custos e os riscos de cobrar os devedores.

Com perdão do trocadilho, é um modelo de negócio super lógico para a Superlógica.

O mercado potencial é enorme: segundo a empresa, nos últimos 10 anos o percentual de quem não paga em dia a taxa condominial se manteve sempre alto, entre 14% e 18%. 

A pandemia do coronavírus não deve ter ajudado a reduzir a inadimplência, pelo contrário.

O resultado é que os moradores que pagam em dia precisam contribuir com valores maiores para cobrir o buraco, enquanto o condomínio não se decide a ir para as vias judiciais contra os devedores, o que nem sempre é fácil.

“Com o novo produto, temos o potencial de mudar esse cenário, porque o síndico não precisará arrecadar mais do que precisa para pagar as contas, já que sabe exatamente quando e quanto irá receber o valor”, comenta Carlos Cêra, CEO da Superlógica.

Além do mercado potencial, a Superlógica tem toda a informação necessária para estabelecer uma taxa de cobrança competitiva, pelas informações que tem acumuladas sobre os condomínios (a empresa atende 45 mil condomínios, que transacionaram R$ 14 bilhões em 2020).

A empresa não chega a abrir quais são as taxas que vai cobrar, prometendo apenas “taxa zero” para condomínios com “poucos mal pagadores” e um valor “bem abaixo do custo atual do condomínio com a inadimplência” para os demais.

A meta é atender metade do mercado brasileiro endereçável, o equivalente a 100 mil condomínios, em até quatro anos. Cerca de um quarto da população do país mora em condomínios.

O principal risco do novo negócio é adiantar o dinheiro para os condomínios e não conseguir cobrar os devedores. A penhora da conta bancária e a perda do imóvel para o pagamento de condomínio precisam ser decididos pela justiça.

Por outro lado, as punições para os devedores também são reguladas por lei, limitadas a multa de 2%, juros de 1% ao mês, mais correção pela inflação do período atrasado.

Com a informação que tem disponível, a Superlógica pode minimizar o risco com taxas mais altas, além de ter a opção de passar os devedores adiante para outras empresas na cadeia alimentar do setor de cobrança.

Por fim, a empresa tem dinheiro próprio para bancar a espera: no ano passado, a Superlógica captou R$ 300 milhões do fundo norte americano de private equity Warburg Pincus.

Em 2019, a Superlógica fechou uma fusão com a Base Software, especialista em software para gestão de imobiliárias e administradoras de condomínios. Juntas, as companhias esperavam uma receita de R$ 100 milhões em 2019.

Além da Superlógica, empresa que oferece software de gestão, faz parte do grupo a fintech PJBank, uma plataforma de serviços financeiros.

Veja também

SUSTENTABILIDADE
Mitre Realty: projeto de ESG com WayCarbon

O mapeamento completo da construtora será gerido pela plataforma Climas.

BILIONÁRIO
Warren Buffett investe US$ 500 milhões no Nubank

Valor é uma extensão da rodada série G do banco digital, a maior da história na América Latina.

FINTECH
PagueVeloz tem novo head de tecnologia

Com 24 anos de experiência, Wendy Krepsky fez carreira na Benner Sistemas.

ENDEREÇOS
Uber troca São Paulo por Osasco

Sai escritório na badalada avenida JK, entra campus em área chique.

CONTA
Nimbi: banco digital com Hub Fintech

A empresa de gestão de fretes projeta transacionar R$ 1 bilhão até o final do ano.

PAGAMENTO
CloudWalk tem aporte de US$ 190 milhões

Empresa dona da maquininha InnitePay leva a maior série B já feita no Brasil.