Trensurb foi a última empresa de transportes a apostar no wifi.

A Trensurb, que opera uma linha de trens urbanos na Região Metropolitana de Porto Alegre, apresentou o projeto de caráter experimental “Novas conexões”, que irá disponibilizar internet gratuita na Estação Mercado do trem. A empresa responsável pela infraestrutura do projeto é a Conectividade em Movimento.

A expectativa é que o sistema possa operar a partir do dia 10 de setembro, através de uma rede de conexão wi-fi, durante até 12 minutos por seção para cada usuário. O sistema comportará até 700 acessos simultâneos.

O gerente comercial da Trensurb, Antônio Carlos Freitas, explica que um dos objetivos do projeto é atender os atuais anseios de comunicação dos usuários do trem.

“A questão do acesso à internet via aparelhos de telefonia móvel vem ao encontro de diversas solicitações e perguntas sobre quando iremos disponibilizar tais serviços ao nosso público”, diz. 

A fase de testes e o contrato de adesão ao sistema terá duração de 3 meses, podendo ser renovado tempo conforme a necessidade dos estudos. A ideia é expandir o sinal de rede de internet para os novos trens e todas as estações da Trensurb.

Nas últimas semanas, outras ações para disponibilizar wi-fi gratuitamente em pontos relacionados ao transporte coletivo foram anunciadas em diferentes cidades.

Blumenau lançou a internet gratuita em terminais de transporte público e São Paulo passou a oferecer o serviço em quatro veículos da frota de ônibus da cidade.

Apesar de não ser o único foco de investimento das empresas (a Trensurb, por exemplo, começou a testar no início de setembro o primeiro dos novos trens da companhia), o wi-fi é uma mudança fácil de perceber e que agrada muito os usuários.

A instalação da rede pode ser uma maneira de mostrar alguma melhoria nos serviços prestados, algo muito cobrado durante os protestos do ano passado. Apesar do foco inicial das cobranças ter sido o valor das passagens, o funcionamento do transporte público também foi criticado.

O uso da internet em terminais ou veículos de transporte coletivo pode não compensar o atraso ou a lotação dos ônibus e trens, mas pode deixar o usuário mais satisfeito durante o trajeto.

Além de agradar os usuários, o projeto não tem um custo elevado. Em Blumenau, não houve investimento referente a implantação por parte da cidade. A prefeitura informou que já possuía uma rede de fibra óptica que interligava os terminais e a sede do governo. O link concentrador de internet é o mesmo que é utilizado na Prefeitura para acesso a internet. 

Já em São Paulo, o wi-fi chegou em uma nova frota de ônibus superarticulados. Cada veículo custa R$ 810 mil, e o valor da internet nesse montante não deve ser significativo.

Em termos de público para serviços como esse, o potencial é grande. De acordo com dados da IDC, os smartphones passaram a representar, em maio de 2014, 76% do mercado de celulares. 

No ano passado, uma pesquisa mostrou que telefones inteligentes com preço menor do que R$ 700 representavam mais de 70% das vendas no Brasil. O público que procura essas opções de telefone, ao invés dos modelos que passam de R$ 1,5 mil, tem grandes chances de ser usuário de transporte coletivo.

Outro estudo, realizado pela Kantar Worldpanel, mostrou que, em relação às vendas de smartphone no ano passado, a classe C foi a segunda com maior penetração, responsável por 17% do mercado em 2013.

Para 2014, a previsão da IDC é de que sejam comercializados cerca de 64,9 milhões de telefones celulares no Brasil, sendo 46,8 milhões de smartphones e 18 milhões de feature phones. Com isso, o público sedento por internet nas ruas só vai aumentar.