Microsoft firma parcerias para bombar o Surface. Foto: divulgação.

A Microsoft anunciou nesta terça-feira, 09, uma manobra diferente para impulsionar a venda de seu 2-em-1 Surface Pro, ao alinhar forças com a Dell e HP para levar seu produto ao segmento corporativo.

Com a parceria, o Surface Pro será vendido pelas duas companhias, que são rivais de mercado, ao lado de dispositivos semelhantes feitos pelas fabricantes, como o Venue 11 Pro, da Dell, por exemplo. A informação é da Forbes.

Além do acordo para a parte de vendas, com a Dell a Microsoft emplacou também uma parceria de suporte, em que técnicos da Dell serão habilitados a fornecer suporte técnico para o Surface. A HP não deu informações se terá um serviço semelhante.

De acordo com a Dell, que iniciará as vendas em outubro nos Estados Unidos e no primeiro semestre de 2016 no restante do mundo, a parceria com a Microsoft foi uma demanda de seus consumidores.

"Temos grandes clientes que gostam de nossa parte de vendas e serviços, mas estavam pedindo se era possível comprar um Surface Pro conosco", revelou Kirk Schell, VP e gerente de soluções comerciais para clientes da Dell.

Para analistas, a união de forças entre fabricantes até então competidoras aponta um novo caminho no cambaleante mercado de PCs, que no segundo trimestre de 2015 registrou queda de 9,5%, conforme aponta o IDC.

“Este acordo mostra o quão interessante está o cenário de PCs, onde concorrentes estão unindo forças. Eu nunca teria imaginado isso há três anos atrás. Isso mostra como a Dell está inovando agora que é uma empresa privada", avaliou Patrick Moorhead, presidente e analista da Moor Insights.

Ao alinhar a venda do Surface com empresas especializadas em contas corporativas, a Microsoft também mira um ganho em unidades vendidas, deixando de vender por unidades e passando a mover lotes do produto. Reunindo números de varejo e corporativo, o produto registrou um crescimento de 117% em vendas nos últimos doze meses, com uma receita de US$ 3,6 bilhões.

"Trabalhando com grandes companhias com empregados ao redor do globo, é preciso uma estrutura forte de entrega em vários países, e não temos esta capacidade. Estes clientes querem comprar o Surface, mas compram menos do que gostariam se tivéssemos um suporte global", afirmou Brian Hall, gerente da divisão Surface.

A investida no dispositivo vem no caminho inverso de outras decisões da Microsoft em sua parte de hardware. Recentemente a companhia de Satya Nadella anunciou um corte de 7,8 mil funcionários, principalmente de sua divisão de smartphones, proveniente da aquisição da Nokia em 2013.

O acordo com a Dell e a HP é um indicativo que, pelo menos na parte de PCs, a companhia ainda acredita no potencial de seus produtos físicos. Com uma abordagem diferenciada, a Microsoft sinaliza que o Surface é de fato uma oportunidade de negócios.

Contudo, a empresa de Redmond não está sozinha neste caminho. Outras fabricantes de dispositivos, como Apple e Samsung, também recorreram recentemente a parcerias com marcas tarimbadas no segmento corporativo para impulsionar a venda de seus produtos.

No ano passado, a Apple anunciou uma parceria com a IBM, antigo desafeto da companhia, de olho na criação de aparelhos totalmente adaptados para os ambientes empresariais. Pelo acordo, a IBM proverá serviços na nuvem como gerenciamento de dispositivos e segurança, que serão embarcados nos aparelhos da Apple, que assumirá o desafio de vender equipamentos e aplicações para outras empresas.

Seguindo os passos da empresa de Cupertino, a Samsung anunciou uma parceria com a SAP para atacar o segmento empresarial. De acordo com as empresas, um dos focos é o varejo, que já vem na mira da SAP nos últimos meses. No caso da Samsung, o plano é bater de frente com a Apple em pagamentos móveis, competindo com o recém-lançado Apple Pay.

Além disso, a parceria prevê aplicações em marketing e experiência de consumidor, desde atendimento, pagamento e variedade de produtos. O segmento de óleo e gás também será um dos focos iniciais, com aplicações SAP casadas com produtos Samsung específicos para o setor.