Marcelo Carreras, CIO da CPFL.

A CPFL Energia, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, vai fazer um grande upgrade para a nova geração de tecnologias da SAP como parte de um plano como foco na transformação digital da companhia.

O projeto tem partes que já estão em andamento, como software de gestão de relacionamento com clientes na nuvem C4C, sendo realizado pela CSC, ou da solução de gerenciamento de equipes FieldGlass, feita diretamente pela SAP.

Ainda estão em definição quem são as consultorias que implantarão o S/4, última versão do sistema de gestão da multinacional alemã, desenhado para rodar no banco de dados em memória Hana, assim como o software de gestão de RH SucessFactors e o Ariba, de e-procurement. 

A previsão é começar as implantações em dezembro e fazer o go live em 2018. Essa é uma nova fase do planejamento estratégico de TI da CPFL.

Entre 2010 e 2015 a empresa esteve focada em unificar o porfólio de sistemas de oito companhias adquiridas pela CPFL, substituindo sistemas de gestão da Microsiga, Datasul e versões diferentes do SAP pela plataforma da companhia, baseada em SAP.

“O plano em curso agora é mais complexo, já que envolve transformação de processos. Estamos sempre buscando formas de gerar valor para a organização”, explica Marcelo Carreras, CIO da CPFL.

No caso de tecnologia da SAP no setor elétrico, a geração de valor passa muito pelo trabalho das companhias, uma vez que a tecnologia dos alemães é quase um standart no segmento.

De acordo com dados da SAP, mais de 80% de mercado das empresas de utilities no Brasil é cliente da multinacional alemã.

“Essa nova plataforma nos habilita para fazer progressos na integração de canais de atendimento e em novas áreas como Internet das Coisas”, aponta Carreras.

A IoT é vista como uma grande oportunidade dentro do segmento de energia. A oportunidade mais direta é para uso interno, como monitoramento da rede de distribuição, conceito conhecido como smart grid. 

Os 23 mil clientes do chamado Grupo A da CPFL, onde estão os maiores consumidores, entraram no smart grid a partir de 2013.  O desafio daqui para frente é levar isso para os clientes residenciais de baixa tensão. 

“Os reguladores ainda estão discutindo como isso será feito, mas nossa intenção é estar preparado para quando isso acontecer”, resume Carreras, um executivo experiente do setor, que começou a carreira na área RGE, antes de passar pela Light e ser contratado pela CPFL em 2009.

Hoje, a CPFL detém market share de 13% do mercado nacional de distribuição, fornecendo energia para 7,8 milhões de consumidores em 571 municípios nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais por meio de oito concessionárias. 

Com a recente incorporação da gaúcha AES Sul à sua base de distribuição, o número de clientes do Grupo CPFL passou para 9,1 milhões em 679 municípios de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, totalizando 14,3% do mercado nacional de distribuição de energia.

Se os resultados da AES Sul tivessem sido registrados no balanço da CPFL Energia em 2015, o faturamento líquido passaria de R$ 19,15 bilhões para R$ 22,1 bilhões, o Ebitda, de R$ 3,75 bilhões para R$ 4 bilhões, e o lucro líquido, de R$ 875 milhões para R$ 870 milhões.