El Chapo: "Se não fosse aquele gerente de TI, eu ainda estaria livre".

Joaquín “El Chapo” Guzman, chefe do poderoso cartel de Sinaloa, foi preso devido à colaboração com o FBI do seu “gerente de TI”, um engenheiro de sistemas chamado Cristian Rodriguez.

A revelação aconteceu durante o julgamento do traficante mexicano, atualmente em curso em Nova Iorque.

O FBI revelou essa semana que teve acesso a centenas de chamadas telefônicas feitas por El Chapo porque Rodriguez abriu o acesso ao sistema de encriptação customizado rodando sobre uma rede VoIP fechada gerenciado por ele.

As gravações incluem diálogos sobre compra e venda de cocaína e até uma breve conversa com um chefe de polícia corrupto. Foram mais de 1,5 mil chamadas entre abril de 2011 e janeiro de 2012.

Como costuma acontecer com bons profissionais, Rodriguez chegou ao cartel de Sinaloa recomendado por outro cliente, o traficante colombiano Jorge Cifuentes.

O FBI se aproximou de Rodriguez por meio de um agente que fingia ser um gangster russo interessado em um  projeto similar. Como se vê nas séries de TV, Rodriguez acabou sendo obrigado a trabalhar para os americanos como um agente duplo.

A polícia americana ganhou acesso às redes de El Chapo quando Rodriguez mudou os servidores do Canadá para a Holanda, afirmando que se tratava de um upgrade.

Gravações mostradas durante o julgamento demonstram que a vida de um administrador de sistemas é mais ou menos a mesma, trabalhe ele numa fábrica de pregos em Osasco, ou para cartéis de drogas no México.

Em um dos diálogos, por exemplo, Rodriguez leva uma bronca por causa das longas senhas usadas nos computadores, que incluíam caracteres especiais.

Por outro lado, Rodriguez trabalhava sob muito mais pressão. De acordo com a promotoria americana, ele sofreu um “colapso nervoso” em 2013 devido à pressão de trabalhar para El Chapo (ser um agente duplo para o FBI também não devia tornar as coisas mais fáceis).

O profissional de TI ainda deve ter que depor no julgamento contra o antigo chefe.