PROTEÇÕES

Negacionismo do vírus e do antivírus

10/01/2022 05:54

Na estreia de "A vida como ela é", CIO fala de um chefe que não acredita no vírus.

Nelson Rodrigues, escreveu sobre a vida como ela era nos anos 50. Foto: Wikipedia.

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Há muito tempo eu venho com a ideia de começar a publicar histórias da vida real dos profissionais de TI, longe da versão polida da realidade apresentada pelas empresas.

Todo mundo que trabalha em tecnologia tem no mínimo meia dúzia dessas, que nós começaremos a publicar pouco a pouco no Baguete, em uma série intitulada “A vida como ela é”, numa inspiração nada modesta das colunas de Nelson Rodrigues para o jornal carioca Última Hora nos anos 50.

Na estreia, trazemos a história de um CIO e seus problemas com o dono de uma empresa de porte médio, que se comprovou um negacionista consequente da ameaça causada por vírus. Qualquer vírus.

Segundo contou o profissional numa conversa recente comigo, há uma década atrás ele foi contratado como gerente de TI por uma empresa de porte médio, com cerca de 350 computadores, todos protegidos por uma versão free de um antivírus famoso.

“O antivírus, que é pensado para uso doméstico, estava ilegal, bloqueava até mesmo os sites internos da empresa e estava sempre desatualizado”, resume o nosso amigo, que permanecerá anônimo.

A primeira medida do novo gerente de TI foi fazer uma implantação de uma solução corporativa de outro fabricante, com gerenciamento, bloqueio de pen drives e outras medidas padrão de segurança.

"Após alguns anos, deixei a empresa. Dois meses depois ele mandou suspender o contrato e voltou a usar o antivírus free”, revela o profissional.

Nosso gerente anônimo lembrou da história ao descobrir que o dono da empresa decidiu não se vacinar contra o coronavírus, por acreditar que se trata de uma conspiração, apesar de diferentes integrantes da família terem contraído a doença, em alguns casos com problemas graves de saúde.

“A pessoa consegue ser duplamente negacionista: no real e no virtual!”, espanta-se o gerente.

Tem uma história boa para contar? Procure o editor Maurício Renner no Linkedin, ou, se preferir, envie um contato anônimo para o site. Todas as histórias de "A vida como ela é" serão anônimas e sem elementos que permitam identificar os protagonistas ou as empresas envolvidas.

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