Cézar Pauxis, o mais novo desenvolvedor da PicPay. Foto: divulgação.

Um paraense de apenas 17 anos aprendeu a programar sozinho com celulares usados e acabou sendo contratado pela PicPay, fintech de pagamentos com sede em Vitória.

A história de Cézar Pauxis foi contada pela BBC News Brasil após uma publicação do desenvolvedor viralizar no Twitter com mais de 90 mil curtidas e 20 mil compartilhamentos em questão de dias.

"Eu estava pedindo ajuda para comprar um computador ou celular melhorzinho porque, para variar, o que eu estava usando tinha quebrado," contou Pauxis à BBC.

Como resposta ao tweet, surgiram muitas doações e o contato de uma série de empresas, inclusive a  PicPay, que estava sendo usada pelo adolescente em uma vaquinha virtual.

"Aprender programação do zero, nas condições que o Cezar tinha, é muito difícil. Quando ele contou sua história no Twitter, a comunidade tech passou a acompanhar," explicou Diogo Carneiro, diretor técnico da PicPay, à publicação.

Segundo o profissional, programar em celulares é mais complicado do que em computadores por conta da diferença de tamanho de telas e pelo fato de que é necessário digitar bastante, o que pode ser desconfortável — ainda mais em celulares com problemas.

Desde 1º de março deste ano, Pauxis é um dos mais novos funcionários da fintech, na função de desenvolvedor, e trabalha remotamente de Belém, onde mora sozinho depois que a família se mudou para a pequena cidade de Carutapera, interior do Maranhão.

Além disso, uma nova vaquinha no site Razões Para Acreditar arrecadou em janeiro mais de R$ 80 mil, que serão usados em obras para terminar a casa onde a família vive hoje.

"A gente não tinha condições financeiras para achar uma casa pronta, então precisou viver em uma inacabada", contou Pauxis à BBC. Ele também pretende usar parte da verba para fazer um curso formal de programação.

A capacidade diferenciada do paraense não vem de hoje: aprendeu a ler aos três anos de idade e tinha 14 quando começou a se interessar por bots, aplicações concebidas para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão — como um robô.

O adolescente tinha curiosidade especial pelos bots no aplicativo Telegram. Começou, sempre com o auxílio de um celular usado, a buscar informações em comunidades de programadores.

"A última vez que tive computador em casa foi aos cinco, seis anos de idade. Então, tive que usar o celular. As pessoas com quem conversava me avisaram do quanto era difícil programar em celular, mas a minha curiosidade era maior", contou à BBC.

Os problemas nos aparelhos faziam com que Pauxis perdesse, por várias vezes, todo o trabalho feito e, frequentemente, ele ficava por meses sem trabalhar nos projetos.

"Tinha um aparelho que esquentava tão rápido que eu precisava colocar no congelador. Em outros eu só conseguia usar parte da tela", exemplificou o paraense.

Ainda assim, o adolescente conseguiu criar dois bots para o Telegram que respondiam à pesquisas, mas hesitava em pedir ajuda financeira ou tornar sua história pública.

"Tenho criado projetos com programação todos esses anos sempre somente em celulares quebrados. Mas é o que eu amo fazer e sempre fiz de graça simplesmente para poder ajudar os usuários, por isso relutei em pedir doações ou cobrar pelo serviço", afirmou o jovem.

Após o tweet viral, Pauxis já tem um smartphone novo em folha em mãos e quer que sua história sirva de incentivo para outras pessoas que se encontrem em situações semelhantes às que ele viveu e incentiva a doação.

"Muita gente têm celulares ou outros equipamentos que às vezes estão largados em alguma gaveta. Elas poderiam doar esses equipamentos, pois isso pode ajudar demais quem precisa", ressaltou o novo desenvolvedor da PicPay à BBC.