Cléber Prodanov.

Cleber Prodanov bateu dois recordes neste mês à frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação: tempo de permanência no cargo e volume total recursos liberados pela pasta.

Nesta quinta-feira, 10, em um evento bastante prestigiado no salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini, Prodanov assinou a liberação de quatro novos editais, totalizando cerca de R$ 50 milhões e distribuídos entre R$ 13 milhões para parques tecnológicos, R$ 5,5 milhões para incubadoras, R$ 7,4 milhões para economia criativa e R$ 21 milhões para polos tecnológicos.

Com a liberação recente, o valor total disponibilizado por meio da SCTI e da Fapergs no Rio Grande do Sul chega a R$ 436 milhões, dos quais R$ 203 milhões já foram transferidos para empresas, universidades e centro de pesquisa [a expectativa é chegar até o final do ano com R$ 240 milhões].

Caso sejam batidas as metas de desembolsos só da secretaria, que devem fechar o ano totalizando R$ 88 milhões [R$ 71 milhões já foram entregues], a atual gestão da SCTI terá conseguido com sete vezes mais verbas distribuídas do que o feito durante o governo Yeda Crusius [PSDB] e mais do que 14 vezes a administração Germano Rigotto [PMDB].

“O sucesso é resultado da visão do governador Tarso Genro e do trabalho de aproximação com as universidades”, afirmou Prodanov durante uma conversa com a reportagem do Baguete na SCTI na semana passada.

É interessante analisar o quanto o fator tempo no cargo pode ter contribuído para isso. Com 39 meses na posição, Prodanov é o secretário que mais permaneceu à frente da SCTI, superando em um mês Kalil Sehbe, secretário durante o governo Rigotto, e tendo mais do que o dobro da média de permanência na secretaria, que é de apenas 14 meses.

O contraste da estabilidade gestão Prodanov, que antes de ser secretário era pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Feevale, é grande com o governo anterior.

Durante o governo Yeda, passaram pela secretaria cinco secretários diferentes, dos quais três eram políticos sem maiores relações com o meio de ciência e tecnologia  [Pedro Westphalen, Artur Lorentz e Eduardo Macluf] e dois secretários temporários que conheciam a área, mas foram saídos para dar lugar a indicações partidárias [Júlio César Ferst e Paulo Maciel].

Westphalen, conhecido pela sua atuação na área de saúde, chegou a SCTI após pleitear um cargo na secretária da área e chegou a ser criticado publicamente por entidades de TI por ignorar o setor.  

Macluf assumiu a três meses do fim da gestão, sem tempo para nada e substituindo Júlio César Ferst, um executivo ligado a Assespro-RS com boas conexões no mercado de TI.

De qualquer maneira, mesmo com toda a instabilidade e o franco desinteresse de alguns nomeados para o cargo, os desembolsos da SCTI no governo Yeda, embora inferiores ao governo Tarso [PT], foram ainda assim o dobro [R$ 12 milhões] dos governo Rigotto, no qual Kahlil Sehbe foi o único secretário.

Talvez a resposta para o aumento do volume do recursos repassados esteja na credibilidade de Prodanov no meio acadêmico – o profissional era presidente do Fórum de Pró-Reitores do Rio Grande do Sul – o que ajudou a aumentar a demanda por recursos.

Com recursos antes concentrados em poucas universidades na região metropolitana, a SCTI recebeu em 2013 um total de 144 projetos de 22 universidades totalizando R$ 80 milhões, mais do que o dobro da verba disponível. Nos últimos anos, 18 instituições diferentes receberam verbas.

“Muitas instituições pequenas receberam financiamento pela primeira vez. No futuro, elas gerarão mais demanda”, aponta Prodanov.

Questionado sobre qual deve ser seu futuro após as eleições de outubro, Prodanov não dá mais detalhes, afirmando que pode voltar a vida acadêmica, mas entende que a “visibilidade” do trabalho à frente da secretaria pode “abrir novas portas”.