Marcelo Abritta e Marcelo Vasconcellos, fundadores da Buser. Foto: divulgação.

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A Buser, startup mineira especializada em viagens de ônibus, recebeu um aporte de R$ 700 milhões em rodada série C liderada pelo LGT Lightrock com participação dos fundos Softbank, Monashees, Valor Capital Group, Globo Ventures, Canary e Iporanga Ventures.

Fundada em 2017 pelos mineiros Marcelo Abritta e Marcelo Vasconcellos, a Buser é uma plataforma que conecta pessoas interessadas na mesma viagem. Juntas, elas podem fretar um ônibus com empresas de transporte executivo especializadas. 

Segundo a startup, isso permite que as viagens sejam até 60% mais baratas que as realizadas pelas antigas viações. 

A companhia já conta com quase 4 milhões de clientes em sua plataforma e promove viagens de mais de 15 mil pessoas por dia em 23 estados, conectando 400 cidades.

A Buser vem travando batalhas pelo país para conseguir continuar operando de forma legal. Muitas agências de transportes, estaduais e federal, têm gerado resistências, mas a empresa afirma que as principais questões regulatórias estão superadas.

No final de 2020, a startup agregou à sua plataforma a oferta de viagens de ônibus em parceria com viações que operam nas rodoviárias, tornando-se também um marketplace. 

Em menos de seis meses, o Buser Passagens, como foi batizado, atingiu a marca de 3 mil passageiros transportados por semana, com 40 empresas parceiras. 

Em maio deste ano, a companhia começou a operar no segmento de transporte de cargas dentro dos ônibus, com o Buser Encomendas. O serviço é voltado para empresas, atendendo plataformas e integradoras logísticas, e-commerce, indústrias e pequenas transportadoras.

Segundo a startup, o objetivo é atrair pequenas e médias empresas que não têm transporte próprio e, ao mesmo tempo, otimizar a capacidade dos bagageiros dos ônibus que circulam.

Com a nova captação, a Buser anunciou um plano de investimento de R$ 1 bilhão no Brasil para os próximos dois anos, apostando no reaquecimento do mercado de turismo interno no pós-pandemia. 

Deste valor, cerca de R$ 400 milhões devem ser usados para o processo de expansão da empresa em todo o país e outros R$ 200 milhões irão para ações de marketing para atrair novos usuários. A expectativa da companhia é crescer 10 vezes até o final de 2022.

Para a parte de gratuidades e promoções, em busca da fidelização dos clientes, devem ser usados cerca de R$ 150 milhões. Mais R$ 50 milhões serão investidos na estrutura de pontos de embarque e desembarque.

“O foco também será diversificar o negócio, que tem um potencial gigante para ajudar os brasileiros em várias outras frentes, como o transporte urbano de passageiros, um setor que é ainda mais fechado do que o interestadual e intermunicipal”, destaca Marcelo Abritta, cofundador e CEO da Buser.

Outra atividade que já era realizada em caráter experimental pela companhia também deve ter um crescimento. A startup vai investir R$ 200 milhões para ampliar o financiamento de ônibus junto às empresas parceiras, tanto em capital de giro quanto em compra de veículos novos.

Na visão da LGT, que lidera a rodada, a Buser gera oportunidade para melhorar o serviço de transporte rodoviário no país, combatendo a concentração do mercado.

“Há uma clara tendência mundial na abertura de mercado com a entrada de novos players, o que tem contribuído para reduzir os preços e melhorar a segurança dos passageiros. E a Buser saiu na frente no Brasil”, destaca Marcos Wilson Pereira, managing partner da LGT Lightrock.

A Buser e a Creditas serão os primeiros seed assets de um novo fundo de R$ 1 bilhão que a LGT está levantando com foco na América Latina. Desde 2017, a gestora já investiu quase R$ 2 bilhões em nove empresas na América Latina, entre elas CargoX e Dr. Consulta.