Será que viveremos uma Guerra Fria na mundo da internet das coisas [IoT, na sigla em inglês]? Esse mercado acaba de se dividir em dois blocos. Cada uma com a intenção de criar padrões que venham para reinar em um mercado estimado em US$ 7,1 trilhões em 2020.

Na terça-feira, 8, enquanto a Seleção Brasileira escrevia história na Copa do Mundo; Dell, Intel e Samsung revelaram uma aliança focada em automação residencial. Batizada de Open Interconnect Consortium, a iniciativa ambiciona definir stadards para comunicação entre máquinas (M2M).

Interessante perceber que trata-se de algo que vem para competir com outro esforço, liderado pela Qualcomm, AllSeen Alliance, e que conta LG e Microsoft entre seus 51 membros.

Vale lembrar ainda que, em março, IBM, Cisco, Intel, AT&T e GE formaram um consórcio para derrubar barreiras e impulsionar envolvendo o conceito de internet das coisas “entre todos os setores da indústria”, segundo dizia o documento de lançamento da iniciativa. 

Voltando ao Open Interconnect Consortium, trata-se de um esforço conjunto para criar uma plataforma wireless alinhada para praticamente todos dispositivos de dentro de uma residência. Isso contempla desde termostados até câmeras de segurança e lâmpadas, que se comunicarão entre si.

A ideia do consórcio é lançar especificações para que desenvolvedores criem ações sinérgicas que melhorem os fluxos entre sistemas operacionais, dispositivos [no caso, “as coisas”] e redes sem fio. A expectativa é que os primeiros padrões, nesse sentido, sejam lançados ainda esse ano.

Nos últimos meses, vimos uma enxurrada de companhias em busca de um espaço no campo da internet das coisas, seja em automação residencial e indústrial.

Falando específicamente nesse primeiro nicho, fabricantes como Apple, Google, Salesforce e Microsoft, e agora Samsung, lançaram estratégias para capturar oportunidades nessa frente.

Interessante observar que, por enquanto, apenas Google e Apple perseguem esse objetivo sem se aliarem a nenhum grupo de empresas. A gigante de buscas vem fazendo esse movimento por meio de aquisições: em janeiro desembolsou US$ 3,2 bilhões pela startup de termostatos Nest e, em junho, ofereceu US$ 555 milhões pela fabricante de câmeras Dropcam.

O discurso para formação blocos vem muito vinculado a players de TI. Essa parte está bastante comprometida com a questão da internet e da inteligência de software. Há, contudo, todo o lado das “coisas” com uma gama de empresas que ainda não se inseriu na conversa.  

Assim, um ponto a ser considerado nesse processo é a coalisão com empresas de automação industrial e de processos. A entrada de marcas como ABB, Rockwell, Johnson Controls, etc, pode ser fundamental na definição de para qual lado essa balança irá pender.

Outra frente da indústria que demanda ser ouvida sobre o contorno do que será a Internet das Coisas é a são as operadoras de telecomunicações, em cujas redes trafegarão as informações dos sistemas conectados.