W3Haus era uma últimas grandes agências digitais independentes do país.

A Stefanini fechou a compra da W3Haus, agência digital gaúcha que está entre as maiores do país no seu segmento e era uma das últimas grandes companhias independentes nesse mercado.

Não foi aberto o valor da negociação.

Criada há 20 anos em Porto Alegre, com operações em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, tem entre seus clientes Ambev, Bauducco, O Boticário, HBO, Panvel, Petrobras, Santander, Tramontina, entre outros. A empresa tem cerca de 200 funcionários.

O negócio, que não teve valores revelados, envolve uma série de empresa da holding Haus, que ficavam incubadas dentro da W3Haus e incluem HUIA (design de experiências); Brooke (produtora de conteúdo digital); CAPS (atuação in house nos clientes), além das startups Hopo (consultoria) e NOW3 (cursos).

Do núcleo de três fundadores da W3Haus, seguem na empresa o CEO, Tiago Ritter, e o CIO, Alessandro Cauduro. Chico Baldini, que atuava como CRO (chief relashioship officer), está de saída, para investir em uma nova carreira como artista plástico. 

A compra parece surpreendente em um primeiro momento, mas a Stefanini faz tempo vem fazendo movimentos no nicho de marketing digital, um dos pontos chave para projetos de Customer Experience (CX), que é um dos assuntos quentes do momento.

“Com a aquisição, queremos levar ao mercado novas ofertas em marketing digital, que permitam compreender a jornada do cliente, gerar insights e estratégias de negócios, como foco na experiência do consumidor”, afirma Marco Stefanini, fundador e CEO global da Stefanini.

As apostas da Stefanini eram até mais modestas. No final de 2017, a empresa comprou a Gauge, uma consultoria de performance e experiência do usuário com clientes como Vivo, Itaú, Nike, Embraer, Ambev e Abbott. 

Em 2019, foi a vez de fechar uma joint venture com a Infinit, uma agência digital da Romênia com a qual a Stefanini já mantinha uma relação (a Stefanini, uma das empresas brasileiras de tecnologia mais internacionais, tem nada menos do que três operações na Romênia, uma delas na Transilvânia).

“A aquisição reforça nossa capacidade de apoiar nossos clientes na cocriação de soluções digitais, da concepção, construção até a comunicação e estratégia de go-to-market”, afirma Guilherme Stefanini, diretor de Novos Negócios do Grupo Stefanini.

Guilherme Stefanini, se alguém está se perguntando, é filho do fundador da Stefanini, Marco Stefanini.

“Além da sinergia entre as ofertas de marketing digital, queremos estar conectados a um grupo que se destaca pela inovação no mercado global. Já tivemos algumas oportunidades de nos unirmos a grupos internacionais, mas nunca encontramos uma sinergia de pensamento e de valores como no grupo Stefanini”, afirma Tiago Ritter, que permanecerá como CEO da W3haus.

A nova fase dentro da Stefanini deve trazer novos desafios para a W3Haus, uma das últimas grandes agências de comunicação nascidas com foco no digital atuando de maneira independente no país.

Ao longo da última década, empresas com esse perfil foram compradas aos balaios por grandes companhias de marketing e propaganda, ansiosos por adquirir conhecimento no meio digital.

Nos últimos tempos, as empresas de TI entraram no grupo dos compradores.

Em 2017, CI&T, uma grande empresa brasileira de desenvolvimento de software, adquiriu a Comrade, consultoria especializada em estratégias e design de experiências digitais situada na Califórnia. 

A empresa aprofundou sua aposta na área ao contratar Bob Wollheim, um nome muito conhecido no mercado de comunicação e empreendedorismo digital no país, como novo Chief Strategy Officer (CSO).

O braço Accenture Interactive incorporou a agência digital New Content, que tinha 430 funcionário à época do negócio, em outubro de 2018.

A Stefanini é uma empresa muito maior e com uma cultura muito mais identificada com o mercado corporativo. Ela fechou o ano de 2018 com um faturamento de R$ 3 bilhões, uma alta de 7% frente aos resultados do ano anterior.

O faturamento do ano passado ainda não foi divulgado, mas a empresa afirma que a receita do Grupo Stefanini oriunda das ofertas digitais cresceu 35% no período, sendo que a Stefanini Ventures teve uma grande representatividade no resultado.