CPqD é referência em Open Flow.

A Ericsson e o CPqD acaban de lançar um tool kit de código aberto para a versão 1.2 do OpenFlow.

O OpenFlow é um protocolo que permite a criação de redes definidas por software (SDN, na sigla em inglês), nas quais é possível programar remotamente os elementos de uma rede.

O projeto está dividido em etapas, sendo que nesta primeira, finalizada agora, estão sendo entregues o protótipo de comutador (software switch) OpenFlow 1.2 e outros componentes de software, como o primeiro controlador para a versão 1.2 do OpenFlow e um framework de testes atualizado, preparado, por exemplo, para o tráfego de redes IPv6.

Na próxima fase serão desenvolvidos componentes de software para a versão 1.3 do OpenFlow.

"Todo o kit está disponível em uma única máquina virtual, com os componentes compilados e configurados, tudo pronto para ser baixado de um servidor público. Se preferir, o desenvolvedor pode também baixar cada componente em separado”, diz Christian Esteve Rothenberg, pesquisador doutor da Diretoria de Redes Convergentes do CPqD.

Iniciado em fevereiro deste ano, o projeto do protocolo OpenFlow 1.2 está sendo desenvolvido por meio de uma parceria entre a área de pesquisas da Ericsson e o CPqD, utilizando os incentivos da Lei de Informática. O projeto tem duração prevista de um ano e meio.

A Ericsson já investiu R$ 100 milhões em 115 projetos de pesquisa no Brasil nos últimos 15 anos. A empresa faturou US$ 35 bilhões em 2011.

Com 1,3 mil profissionais, o CPqD é tem hoje possui o maior programa de P&D da América Latina na área de telecomunicações.

O centro deve ser a primeira organização latino americana a se associar à Open Networking Foundation, organização sem fins lucrativos que promove o conceito.

Fundada em 2011 pela Deusche Telekom, Facebook, Google, Microsoft, Verizon e Yahoo possui mais de 60 associados na indústria como um todo.

Embora não detenham o direito de voto das sete fundadoras, empresas como Brocade, Dell, Extreme, HP e inclusive a líder de mercado Cisco, após inicialmente rejeitar o tema, já estão colocando no mercado switches habilitados para funcionar com tecnologia Open Flow.

“O governo brasileiro tem uma política de favorecer o desenvolvimento de tecnologia dentro do país. O Open Flow é uma porta aberta para entrar nesse mercado”, afirmou à reportagem do Baguete Dan Pitt, diretor executivo da ONF, durante o NetEvents Américas, um evento sobre telecom promovido no mês passado em Miami.

De acordo com dados da Abes, o governo respondeu por 66% dos US$ 563 milhões gastos com software livre no Brasil 2010. A administração pública para o desenvolvimento do SDN no Brasil, mas não o único.

Parte da visão por trás do conceito é criar um boom de empresas desenvolvedoras de aplicativos para equipamentos de rede independentes dos fabricantes, a exemplo do que aconteceu com os celulares.

 Um mercado com essas características em tese estaria aberto para desenvolvedores brasileiros.
 
O mercado de SDN ainda é incipiente – observadores gostam de fazer uma comparação com os inícios da VMware, sem a garantia do mesmo final feliz – mas está em crescimento.
 
A consultoria especializada Dell’Oro Group prevê que o mercado SDN deve saltar de US$ 200 milhões no ano passado para cerca de US$ 2 bilhões até 2016.