Marcelo Landi é o diretor geral da Autodesk no Brasil.

A Autodesk realizou uma sacudida geral na subsidiária brasileira nos últimos seis meses, com mudanças de executivos chaves, criação de novas posições, um novo modelo comercial e parceiros de distribuição.

Parte da nova estratégia foi exposta nesta quinta-feira, 10, durante o Autodesk University, evento da companhia que reuniu 1,8 mil clientes em São Paulo.

O comercial da empresa deixou de ser baseada em estratégias únicas em todo o país para as diferentes verticais na qual a empresa atua - arquitetura e construção, manufatura, desenho industrial, animação gráfica, e, cada vez mais, apps voltados para usuários finais – para um conceito regionalizado.

Assim, foram criadas diretorias comerciais focando nos mercados do Sudeste, Norte, Nordeste e Sul, com outras separadas para as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro e Brasília, de olho nas compras públicas.

“O Brasil é muito grande para uma estratégica única funcionar bem em todas as regiões”, afirma diretor geral da Autodesk no Brasil, Marcelo Landi.

A vinda do próprio Landi, ex-country manager no Brasil da Citrix, é outra das mudanças em curso, a qual se soma a contratação do primeiro diretor de canais para a América Latina, Celso Previdelli, ex-VP de vendas da LG e general manager da AMD no Brasil.

Para a região Sul, o gerente é Daniel Cita, que durante 15 anos atuou com vendas na SKA, um parceiro da Autodesk que em 2006 decidiu trocar de bandeira e começar a representar a SolidWorks, sendo hoje um dos maiores parceiros dessa empresa.

Outra mudança importante é a entrada de novos distribuidores da marca no país. Até pouco tempo atrás, a Autodesk era distribuída exclusivamente pela PARS.

Não há um comentário aberto da Autodesk sobre o tema, mas o fato é que a turbulência na operação latino americana que resultou na atual reformulação começou após a PARS ser comprada pela chilena Sonda em um negócio de R$ 94,7 milhões.

Depois da aquisição do maior parceiro na América Latina, caíram o country manager Acir Marteletto e o VP para América Latina, Martin Moreno, ambos executivos com uma década de casa.

Embora a PARS ainda mantenha uma parte importante da distribuição do portfólio Autodesk, a empresa cadastrou no meio tempo a Officer, outra grande distribuidora brasileira, para oferecer a linha de entrada AutoCAD LT.

De acordo com divulgação feita pela Officer, a meta é que as vendas representem 15% do faturamento da Autodesk no Brasil.

A multinacional não revela venda por países, mas a receita no último ano fiscal no nundo foi de US$ 2,3 bilhões, o que, estimando uma participação brasileira de 3% representaria vendas de US$ 69 mihões.

Além da Officer, também entrou no circuito a Exec, que vai trabalhar com a linha de animação da empresa, na qual estão os populares softwares da linha Maya.

Os distribuidores atendem uma rede de cerca de 40 revendas, donas de 50 escritórios espalhados pelo Brasil. A maior delas é a gaúcha Grapho, que tem filiais São Paulo – onde atende a Voith, a maior base instalada Autodesk do país - Curitiba, Joinville e Caxias do Sul.

De parte da própria Autodesk, entrou no ar a versão brasileira da loja eletrônica, focada em vender software para compradores de menor porte, com aquisições de uma ou duas licenças.

Em breve, deverá ser oferecida a possibilidade de alugar as licenças por tempo determinado, especialmente atrativa para empresas às voltas com grandes projetos, que necessitam assentos de CAD mas não querem comprometer capital com a aquisição definitiva.

Maurício Renner participou do Autodesk University em São Paulo a convite da Autodesk.