Hora de apagar as luzes? Foto: Guga Marques/ Grupo CEEE

A Secretaria de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Sul pode estar com seus dias contados. 

De acordo com a Zero Hora, a pasta é uma das cerca de 10 que podem ser fundidas com outras pelo futuro governador, José Ivo Sartori, como uma medida para cortar custos.

Das 29 pastas com status de secretaria, restarão entre 19 e 21, por extinção ou fusão de pastas. 

A SCIT seria unificada com a Secretaria de Desenvolvimento em uma “supersecretaria” focada na atração de investimentos e na inovação, dentro da qual estará instalada também a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). 

A ideia de unir a SCIT com a secretaria de Desenvolvimento costuma ser ventilada na formação de novos governos.

Nessa ocasião, no entanto, parece que a ameaça é real. Integrantes da equipe de transição de Sartori tem vazado à imprensa informações sobre possíveis atrasos no salário do funcionalismo a partir de abril de 2015.

A previsão é de que em 2015 faltem R$ 5,3 bilhões para fechar as contas. Durante o seu governo, Tarso Genro (PT), usou o expediente de tirar dinheiro dos depósitos judiciais para financiar o governo, o que já não é uma alternativa.

Se há boas indicações que pode ser economicamente conveniente acabar com a secretaria, criada em 1990, há outras mostrando que a medida pode ser além de tudo politicamente conveniente.

Os planos de fundir as secretarias de Agricultura com a de Desenvolvimento Rural, por exemplo, foram detidas pela pressão política do PSB, um dos partidos da coalização de governo, e da Fetag, uma associação de pequenos agricultores.

A fusão das secretarias de Esporte, Turismo e Cultura enfrenta os protestos dos artistas, que tem alguma influência política.

Pouco do gênero pode ser dito sobre a SCIT, que com poucos funcionários CCs e menos orçamento ainda, foi historicamente usada como um prêmio de consolação pouco apreciado para políticos das diferentes bases aliadas.

A média de permanência dos secretários à frente da pasta é de apenas 14 meses, o que, para uma pessoa pouco familiarizada com a área, significa ter tempo de conhecer algo do jargão, fazer algumas reuniões e partir.

A ironia é que um eventual fechamento da SCIT agora pegaria a secretaria no seu melhor momento histórico. 

Cleber Prodanov, que está atualmente de saída, permaneceu os quatro anos do governo à frente da pasta, um recorde histórico e conseguiu um recorde de liberação de verbas. A meta para o final do ano era chegar a R$ 88 milhões, sete vezes mais do que o feito durante o governo Yeda Crusius [PSDB] e mais do que 14 vezes a administração Germano Rigotto [PMDB].

Parte do volume pode ser atribuído à política desenvolvimentista de Tarso, cuja viabilidade parece agora discutível, mas outra parte deve ser atribuída à capacidade de articulação junto as universidades gaúchas de Prodanov, que foi pró-reitor de Inovação da Feevale e presidente do Fórum de Pró-Reitores do Rio Grande do Sul.

Com a representação dividida entre muitas entidades, o setor de TI de Rio Grande do Sul não tem uma voz forte junto aos governos de turno, o que até agora se traduziu em incapacidade de indicar seu favorito para a posição de secretário de C&T, e no futuro, manter a existência mesma do órgão.