Lamb se despediu em evento no Piratini. Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini.

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O secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Luís Lamb, anunciou que está deixando o cargo nesta segunda-feira, 10.

Lamb comunicou a decisão ao final de uma cerimônia de assinatura de convênios. Nela, estavam presentes nove das 20 instituições de ciência e tecnologia, que tiveram 37 projetos aprovados nos editais publicados pela Secretaria em 2021.

O secretário apontou razões familiares para a decisão. Lamb está de mudança para Seattle, nos Estados Unidos, onde já residem sua esposa e a filha de 11 anos.

“Já fiquei muito tempo longe da minha filha e quero acompanhar esse período de adolescência antes que ela chegue à faculdade e não precise mais de mim”, disse Lamb.

O agora ex-secretário disse que pretende fazer um semestre sabático e, depois, continuar estudando. 

Estudar em Seattle, cidade que é um dos polos da indústria de Tecnologia da informação (TI) nos Estados Unidos, não deve ser um problema para Lamb, que fez uma carreira acadêmica destacada no Brasil.

Antes de assumir a secretaria, Lamb era pró-reitor de Pesquisa da UFRGS, cargo que assumiu em 2016.

O pesquisador, cujo forte é inteligência artificial, é um “prata da casa” na UFRGS, tendo sido o primeiro graduado do curso de Informática da instituição a assumir o comando do Instituto de Informática, ainda em 2011.

Lamb é professor titular da UFRGS e tem mestrado em computação pela UFRGS e PhD pelo Imperial College London.

Com o anúncio da saída, Lamb antecipou em alguns meses uma saída que seria inevitável.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já havia anunciado desde a posse que não pretendia concorrer a uma reeleição. Leite apostou suas fichas em uma candidatura presidencial pelo PSDB, o que acabou não se confirmando, e seu futuro político é incerto.

Mesmo que resolvesse mudar de ideia e se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul, parece improvável que Leite ganhe: nenhum governador foi reeleito no Rio Grande do Sul, ou fez um sucessor do mesmo partido.

Sem uma continuidade do governo Leite, seria muito improvável uma continuidade na Secretaria de Ciência e Tecnologia para Lamb, que, de todas formas, podia nem ter nos seus planos pessoais fazer carreira na política.

Durante seu período na Secretaria de Ciência e Tecnologia, Lamb foi quase onipresente em eventos focados no setor de inovação do Rio Grande do Sul, além de ter ele mesmo organizado inúmeras lives sobre o tema.

Com a eclosão da crise do coronavírus, Lamb assumiu por um período a coordenação do Comitê de Análise de Dados, responsável por embasar as decisões do estado no combate ao coronavírus.

Nos últimos meses, o governo estadual começou a liberar mais recursos, o que estava se refletindo também na atuação da Secretaria de Ciência e Tecnologia.

Os recursos dos convênios assinados nesta segunda-feira envolvem quatro editais, no valor total de R$ 18,8 milhões, um valor significativo em se tratando de recursos do governo gaúcho. 

Eles são parte de um pacote de investimentos anunciado pelo programa Avançar na Inovação, em setembro de 2021.

O principal diferencial de uma figura como Lamb em um cargo como o de secretário de Ciência e Tecnologia é a capacidade de articulação.

Antes de assumir a secretaria, Lamb esteve envolvido pela UFRGS na articulação junto à Unisinos e PUC-RS para formação do Pacto Alegre, uma iniciativa visando fazer decolar o ecossistema de inovação na capital gaúcha.

Na secretaria, Lamb liderou uma iniciativa para mapear 10 regiões do Rio Grande do Sul identificando as sinergias entre diferentes segmentos, visando criar movimentos similares por todo o estado.

A trajetória de Lamb na Secretaria de Ciência e Tecnologia lembra a de Cleber Prodanov, atual reitor da Feevale, que foi secretário de C&T durante todos o governo Tarso Genro (PT), entre 2011 e 2015.

Prodanov atuou durante um período de vacas gordas, liberando muitos mais recursos (o total nos quatro anos bateu na casa dos R$ 400 milhões), mas tinha em comum com Lamb o fato de ser um articulador ligado à área acadêmica.

É um perfil diferente dos políticos de carreira que normalmente recebiam a secretaria de Ciência e Tecnologia como uma consolação por não terem recebido o comando de outros órgãos do governo com mais recursos.

Isso se refletia no tempo médio de permanência na frente da secretaria, que antes de Prodanov era de apenas 14 meses (os políticos iam embora assim que algo melhor surgia no horizonte).

Durante o governo José Ivo Sartori (PMDB), entre 2015 e 2018, o Rio Grande do Sul inclusive aboliu a Secretaria de Ciência e Tecnologia, integrando a pasta à secretaria de desenvolvimento.

O cenário para a corrida eleitoral no Rio Grande do Sul está totalmente em aberto, assim como o futuro da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Caso ela siga no organograma, talvez fosse interessante apostar novamente em um perfil técnico como o de Lamb ou Prodanov.