Projeto utilizou radiografias de tórax e dados clínicos para construção do algoritmo. Foto: divulgação.

A Nvidia Enterprise está liderando um experimento global com algoritmos de inteligência artificial capazes de auxiliar no tratamento dos casos de Covid-19 com um formato de Aprendizado Unificado (Federated Learning, em inglês).

Para isso, a companhia criou uma rede com mais de 20 hospitais, laboratórios de pesquisas e universidades ao redor do mundo. No Brasil, a participante foi a Dasa, líder em medicina diagnóstica na América Latina.

Segundo a Nvidia, o processo comum seria cada uma dessas instituições da rede pegar os dados que possui, torná-los anônimos — que ainda é um processo manual e necessita de tempo para ser mais seguro — e, então, treinar sua própria rede neural. 

Para otimizar o tempo e melhorar a segurança da informação, a Nvidia desenvolveu um formato de treinamento descentralizado do algoritmo. 

No conceito do Aprendizado Unificado, cada instituição coletou e realizou os próprios processos de segurança nos dados, mas essas informações não precisaram sair para outros locais. 

A Nvidia recebeu apenas as correções das redes neurais de cada local no algoritmo, apenas com dados estatísticos. Depois, o novo algoritmo foi compartilhado na rede. 

Esse algoritmo, nomeado de Corisk, foi desenvolvido em duas semanas pelo cientista Dr. Quanzheng Li no Mass General Brigham. Ele combinou imagens médicas e registros de saúde para ajudar os médicos a gerenciar as internações e alcançou 94% de assertividade. 

Para chegar a esse resultado, todos os treinamentos do algoritmo usaram tecnologia Nvidia Enterprise, como o Framework de Federated Learning do Nvidia Clara e a Nvidia Clara para treinar os modelos locais.

Segundo a Dasa, o novo algoritmo auxiliou a companhia a criar um algoritmo muito melhor do que se tivessem sido utilizados apenas dados de exames da população brasileira. 

Isso porque foi possível utilizar dados de diversos locais do mundo para criar um algoritmo melhor do que se cada instituição participante utilizasse apenas seu próprio dado. Tudo sem nenhuma necessidade de compartilhamento de dados.

“Usamos radiografias de tórax e dados clínicos para construir um algoritmo que prevê se o paciente internado vai precisar ou não de intubação, por exemplo. No cenário de pandemia, isso otimiza a correta gestão de leitos e é importante para os hospitais”, conta Felipe Kitamura, head de inteligência artificial da Dasa.

Além da Dasa no Brasil, participaram do projeto instituições dos Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Tailândia e Canadá.

Fundada em 1993, a americana Nvidia alcançou um faturamento de US$ 5 bilhões em seu último trimestre fiscal. Além da inteligência artificial, a companhia atua com produtos como placas de vídeo para jogos, soluções para datacenters, virtualização e tecnologia automotiva.

Já a Dasa foi fundada em 1999 e é líder em medicina diagnóstica no Brasil e na América Latina, sendo a quinta maior do setor no mundo. A companhia conta com mais de 20 mil colaboradores e 2 mil médicos.

Por meio de suas mais de 40 redes de laboratórios distribuídas em cerca de 900 unidades, realiza mais de 270 milhões de exames por ano.