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B3: nuvem com Oracle e Microsoft

11/05/2022 13:48

Bolsa de valores brasileira anunciou projeto de migração de 10 anos.

Bolsas de valores fazem um uso intensivo de tecnologia. Foto: Divulgação.

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A B3, bolsa de valores do Brasil, fechou contratos com a Microsoft e Oracle para um projeto de migração de seus sistemas para a nuvem que deve se desdobrar nos próximos 10 anos.

Serão duas fases. Na primeira, com horizonte de até cinco anos, serão migrados para a nuvem sistemas que atualmente têm maior adaptabilidade a esse ambiente como o gravame de veículos, a clearing de câmbio, Banco B3, seguros, balcão, entre outros.

Na segunda fase, entra em cena o desenvolvimento de novas tecnologias para migração de sistemas onde hoje não há soluções já construídas e prontas no mercado. 

“Nosso objetivo não é só tecnologia; é inovação, agilidade e flexibilidade para atender nossos clientes. Queremos construir um ambiente tecnológico com soluções novas, produtos novos e gerar benefícios que alcancem todo o mercado”, explica o vice-presidente de Tecnologia e Segurança da Informação da B3, Rodrigo Nardoni.

Infelizmente, a B3 não chegou a abrir detalhes de qual nuvem vai fazer o que, uma informação que ajudaria a entender como a empresa percebe os pontos fortes de cada uma. Provavelmente, a decisão visa não melindrar quem levou a menor parte do contrato. 

Na sua divulgação, a B3 coloca as duas concorrentes em pé de igualdade , destacando o investimento em inovação, os produtos específicos para mercados financeiros e um acordo de interoperabilidade já existente entre as duas empresas.

Pelo menos uma pequena parte da B3 pode ficar na mão de um outro provedor de nuvem. 

Em 2021, a GFT, uma empresa de tecnologia especializada no segmento financeiro, anunciou a migração para a AWS de um dos principais sistemas do Portal de Documentos, uma empresa da B3 especializada em soluções para o  processo de crédito para veículos e imóveis.

O Portal de Documentos foi comprado em 2019 pela B3 por um valor que poderia chegar a R$ 175 milhões, sendo R$ 50 milhões à vista e o restante em até quatro anos, dependendo do cumprimento de metas.

Até 2016, a bolsa tinha cerca de 500 mil CPFs cadastrados e, em julho de 2019, este número chegou a 1 milhão. Atualmente, mais de 3,3 milhões brasileiros alocam seu capital em algum ativo. 

Bolsas de valores são um mercado promissor, mas ainda pouco explorado pelos grandes players de computação em nuvem. 

Compra e venda de ações é um mercado no qual latência é chave (muitas compras são feitas automaticamente e precisam ser processadas em milésimos de segundo) e as bolsas de valores costumam ter seus próprios data centers, ou atuar com fornecedores especializados.

O setor financeiro como um todo é regulado por leis e órgãos específicos, com grande ênfase em privacidade, o que é um complicador adicional.

Mas as coisas estão mudando. No ano passado, a CME, a maior bolsa de derivativos financeiros do mundo, baseada em Chicago, decidiu migrar seus sistemas core de trading para a nuvem do Google.

Outra grande migração foi anunciada pela Nasdaq, bolsa de valores especializada em empresas de tecnologia baseada em Nova Iorque.

O projeto foi anunciado em grande estilo durante o re:Invent, evento da AWS em Las Vegas e deve durar pelo menos uma década, migrando 25 diferentes operações da Nasdaq.

A primeira delas será o Nasdaq MRX, onde ficam os chamados derivativos, um tipo de investimento no qual se aposta na subida ou queda de uma determinada ação.  

A Nasdaq vai começar usando o seu próprio data center, no qual serão instalados equipamentos operados pela AWS.

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