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INOVAÇÃO

Startup Brasil tem nova turma

Maurício Renner
// sexta, 11/08/2017 07:03

O Startup Brasil, programa de incentivo a empresas inovadoras do governo federal, voltou a funcionar depois de dois anos parado por falta de verba.

Kassab conseguiu trazer o Startup Brasil de volta. Foto: Agência Brasil.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) lançou uma nova etapa do programa nesta quinta-feira, 02.

Serão R$ 9,7 milhões em crédito a fundo perdido para 50 empresas, com uma limite de R$ 200 mil para cada. A primeira turma será escolhida ainda neste ano e a seguinte em 2018.

"Investir no futuro é investir em inovação. Os recursos parecem modestos, mas são muito significativos, muito expressivos dentro da atual conjuntura", apontou o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD-SP).

Lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, o Startup Brasil teve Foram 183 startups apoiadas em quatro turmas nos anos de 2013 e 2014. 

Em 2015, já com os efeitos da crise econômica batendo, o edital do primeiro semestre não aconteceu. Sucessivos adiamentos se acumularam, com a maioria dos envolvidos dando o programa como morto.

O material distribuído pelo MCTIC não chegou a mencionar o fato, mas o programa opera com parceria de aceleradoras de empresas em todo país, encarregadas de apoiarem as startups selecionadas e fazerem aportes adicionais.

Questionado sobre o tema pela reportagem do Baguete, o MCTIC informou por  meio de sua assessoria de imprensa que a lista com as aceleradoras participantes será divulgado no dia 18.

No começo de 2015, as aceleradoras integrantes do grupo eram a baiana Acelera Cimatec, as mineiras Acelera MGTI/Fumsoft e TechMall, as pernambucanas Jump Brasil e Cesar Labs, as gaúchas Ventiur e Wow, e as paulistas Aceleratech, Baita, Gema Ventures e Wayra. 

Pelo menos uma delas, a carioca 21212 fechou operações no meio tempo. Fontes ouvidas pelo Baguete afirmam que o MCTIC pode cortar do programa aceleradoras bancadas por multinacionais, como a Wayra, ligada à Vivo.

A participação no grupo de aceleradoras deve ser disputada. O dinheiro a fundo perdido do governo é responsável por criar um chamariz atrativo para empreendedores, fazendo com que os poucos selecionados (até o momento, foram 15 candidatos por vaga) sejam naturalmente um alvo para investidores privados.

Assim,  os investidores das aceleradoras colocam capital em empresas que já tiveram um aporte significativo em uma fase de maior incerteza sobre sua viabilidade, diminuindo seu próprio risco na jogada.

A fórmula funciona. De acordo com o MCTIC, o governo colocou R$ 34,7 milhões na iniciativa, complementados por R$ 103 milhões em investimentos privados, uma proporção de 3 por 1.

Há quem alegue que o Startup Brasil foi responsável por uma inflação de aceleradoras no país, hoje no total de 40, segundo dados do MCTIC.

Esse tipo de empreendimento é um fenômeno recente no país,  com a primeira abrindo as portas em 2005. Até 2012, o ritmo foi lento, com poucas abertas: 1 em 2007 e 2009, 4 em 2011, 5 em 2012. 

O ritmo decolou em 2013, ano de lançamento do Startup Brasil, quando foram abertas 7. Em 2014, quando o programa ainda estava operacional, foram abertas outras 8.

Nos últimos anos, com a economia em crise e o Startup Brasil virtualmente morto, não se tiveram notícias de aberturas de novas aceleradoras. 

A Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento (Abraii), fundada em 2014 e com 21 aceleradoras associadas, fechou as portas e se incorporou à Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Maurício Renner