A prefeitura de Joinville adotou o design thinking. Foto: Divulgação.

A prefeitura de Joinville está focada na modernização da gestão pública com a aplicação do design thinking, conceito que vem se popularizando entre empresas e startups e que tem como foco a resolução de problemas complexos com criatividade.

“A cidade tem o DNA da inovação, e a prefeitura faz parte disso. Está tentando se reinventar, assim como as empresas, seguindo uma tendência de mercado”, enfatiza o secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico (Side), Danilo Conti. 

A cidade é a primeira do Brasil a divulgar o uso do método. Na Prefeitura, o conceito já é utilizado por órgãos como Side, vigilância sanitária, secretaria de assistência social (SAS) e secretaria de administração e planejamento (SAP). 

Na Side, o design thinking foi utilizado para estabelecer o modelo de negócios da secretaria e ajudar na desburocratização de processos relativos à abertura de empresas. 

A metodologia passou a ser aplicada no Comitê Permanente de Desburocratização (CPD), que dividiu as empresas em três graus de risco. 

Com o auxílio do design thinking, o grupo conseguiu elaborar projeto de lei para que as empresas de grau 1, para atividades que não necessitam de espaço físico para acontecerem (representantes, consultores, advogados, pedreiros, entre outros), possam ser abertas no prazo máximo de 48 horas. 

O projeto está em análise na Procuradoria do Município para depois seguir à Câmara de Vereadores. 

A abordagem também foi utilizada na elaboração da lei 407, que estabelece normas para a realização de eventos na cidade. O grupo de discussão, que envolveu produtores de eventos, órgãos da prefeitura, polícia civil, corpo de bombeiros e a equipe do vereador Manoel Bento, conseguiu produzir o texto do projeto de lei em 45 dias.

“Em vez de procurarmos leis já existentes e tentarmos adaptar para Joinville, fizemos algo totalmente novo, partindo do zero, com base nas necessidades locais”, explicou Ari Vieira Junior, gerente da Side que atuou como moderador de Design Thinking. 

A Secretaria de Administração e Planejamento (SAP) utiliza ferramentas típicas de design thinking desde 2013, mesmo antes de a Side começar. O diretor-executivo da SAP, Filipe Schüür, explica que ferramentas foram usadas, por exemplo, para conceber e prototipar o funcionamento de unidades da administração municipal, entre elas, as subprefeituras.

“Citamos também o Mapeamento de Contexto, utilizado para direcionar e priorizar o redesenho de processos internos, e a Jornada do Usuário, usado para melhorar os fluxos de atendimento ao cidadão, buscando a desburocratização”, detalha.

O design thinking é um dos temas mais discutidos atualmente no setor de TI, segmento que conta com muitas empresas representantes na cidade de Joinville. Na região surgiram empresas de software com atuação nacional, como Datasul e Logocenter, compradas pela Totvs. 

Também são de Joinville as companhias Conta Azul, que recebeu R$ 20 milhões do fundo Tiger Global em 2015; a OpenTech, empresa de gestão logística que  rastreia 46 mil veículos; e a Neogrid, focada em soluções de Supply Chain Management (SCM).

Joinville lidera, junto com Florianópolis, um levantamento do programa Geração TEC, do governo do estado, que estima a abertura de pelo menos 1.535 vagas até o final do ano no setor de TI em Santa Catarina. Segundo a pesquisa, a TI vai gerar 383 empregos em Joinville no ano.