Brasil atrasado no IPv6. Foto: flickr.com/photos/baldbrad

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Não é de agora que se sabe que o Brasil está atrasado na adaptação de suas redes e sites para o IPv6, novo protocolo de endereçamento da internet lançado oficialmente há cerca de um ano. No entanto,  um estudo mostra que, sem incentivos, a implantação do padrão dificilmente se resolverá no Brasil.

A constatação é do consultor legislativo do Senado, Igor Vilas Boas de Freitas, recém-indicado pela presidente Dilma Rousseff para o cargo de conselheiro da Anatel, que assinou estudo com o economista e advogado Andrey Vilas Boas de Freitas.

Segundo destaca o Valor, os especialistas afirmam que não basta a migração dos usuários para o sistema IPv6. Provedores e grandes geradoras de conteúdo precisam se adaptar da mesma forma.

"Enquanto uma parcela expressiva e útil dos serviços, conteúdos e aplicações disponíveis na internet não for adaptada para que terminais IPv6 possam acessá-la, será difícil ver a demanda pela nova versão crescer no ritmo desejado", ressalta Freitas.

Segundo dados divulgados pela Cisco em agosto, o Brasil ocupa a 59ª posição mundial entre as nações mais aptas para a novidade. Entre os da América Latina, esta em décimo.

De acordo com o estudo, provedores de gigantes como Google, Yahoo e Microsoft já investiram para preparar seus servidores para o IPv6. No entanto, estruturas nacionais como a da Receita Federal, que recebe as declarações de imposto de renda, ainda não estão aptas para atender terminais IPv6.

Ricardo Patara, do NIC.br, diz que muitos provedores têm aproveitado a troca de modens nas residências e escritórios - com a venda de pacotes mais abrangentes - para fazer a migração de sistemas.

Na Europa, governos determinaram que PCs adquiridos pelo poder público deverão necessariamente contar com o IPv6.

Segundo analistas, o esgotamento de endereços no protocolo IPv4 está próximo. Para Ricardo Patara, gerente de recursos de numeração do NIC.br, a entidade responsável pelo registro dos domínios no Brasil, o teto deve ser atingido ainda em 2014.

Desenvolvido para substituir o protocolo IPv4, o IPv6 foi ativado em junho de 2012 e permite a criação de um número praticamente infinito de endereços públicos de internet.

Mesmo antes da ativação, o protocolo já vinha em uso, como mostra uma pesquisa da fornecedora de produtos e soluções de telecomunicações BT.

Na metade do ano passado, por exemplo, um estudo da BT mostrou que enquanto em 2011 5% das companhias mundiais haviam adotado o protocolo, em 2012 este número já subia para 13%.

Além disso, o levantamento mostrou que mais de 44% dos entrevistados planejavam implantar o IPv6 em dois anos.