Mark Hurd, presidente da Oracle.

A Oracle abrirá um data center no Brasil até o final do primeiro semestre do ano que vem.

O anúncio foi feito pelo presidente da multinacional, Mark Hurd, que esteve em São Paulo nesta terça-feira, 11, para a abertura do Oracle CloudWorld Brasil.

Será o primeiro centro na América Latina e o 18º no mundo, junto com similares existentes na Europa, Autralia, Cingapura, Estados Unidos e Canadá.

E isso é praticamente tudo o que se sabe, já que Hurd não abriu o investimento, tamanho ou mesmo a localização do centro de dados brasileiros.

Em nota divulgada após a coletiva com Hurd, a Oracle revelou que o centro será conforme com uma série de regulações, incluindo ISO 27001, ISO 27002, HIPAA, ISAE 3402 / SSAE 16, NIST, DIACAP, PCI e CFR Part 11.

Em países como Austrália e Inglaterra, disse Hurd, a companhia mantém estruturas separadas para clientes da iniciativa privada e do governo.

O presidente da Oracle não comentou se esse seria o caso no Brasil, mas a afirmação pode ser vista como uma aceno ao governo brasileiro, que, desde o escândalo de espionagem da NSA, tem feito barulho exigindo que as multinacionais de TI construam data centers por aqui.

Se não deu muitos detalhes sobre o data center em si, Hurd foi claro no que ele significa em termos de estratégia comercial, fazendo uso do estilo agressivo pelo qual a Oracle ficou conhecida no mercado.

“Queremos crescer o nosso market share em aplicações. Temos os nossos softwares todos reescritos para a nuvem enquanto nosso principal concorrente, a SAP, ainda não fez nada sobre isso”, fulminou o executivo americano.

A Oracle chegou a uma receita de US$ 1 bilhão com software na nuvem no quarto trimestre do ano fiscal 2013, encerrado em junho, contra US$ 9,3 bilhões do modelo de licenças tradicional, mas o discurso já é totalmente orientado para a ideia de computação em nuvem.

“Vamos seguir investindo nas linhas tradicionais como o Business Suite e JDEdwards, por exemplo, mas sem dúvida a inovação será mais acelerada no cloud”, afirmou Rod Johnson, vice presidente de Estrátegia para Indústria, em uma declaração que é um exempo típico da máxima de que, para bom entendedor, meia palavra basta.

Em seu keynote, Johnson buscou traçar uma separação entre o que chamou de primeira e segunda geração de sistemas de computação em nuvem.

Na primeira geração – o que também poderia se chamar a concorrência – a adesão à computação em nuvem significa um “trade off”, no qual a empresa ganha com os custos e a agilidade da nuvem, mas precisa aceitar uma política de upgrades, processos e, no final das contas, resultados determinados pelo fornecedor.

“Em algumas soluções da concorrência não é possível nem trocar o logotipo!”, brinca o executivo da Oracle, que garante que as soluções da companhia garantem processos customizáveis e uma política de upgrades “sob controle do cliente e não do vendedor.

Johnson também fez críticas ao que vê como a excessiva “departamentalização” do escopo das soluções cloud no mercado, frente a uma visão integrada por parte da Oracle.

O executivo não fez menções diretas, mas é fácil ver uma alusão a softwares como o da SalesForce, focado em CRM, ou à SucessFactors, uma aquisição bilionária da concorrente SAP especializada em gestão de metas de RH.

O mercado está acostumado a ouvir a Oracle fazer bulling na concorrência. É uma velha tradição. O problema é que, de uns tempos para cá, os resultados da companhia só tem empolgado na Americas Cup, competição de vela vencida neste ano de forma épica pelo time de Larry Ellison.

No primeiro trimestre fiscal de 2014, o último a ser divulgado, a empresa bateu a marca do terceiro relatório consecutivo com resultados abaixo das expectativas de receita do mercado, que apostava em um modesto aumento de 3,3% ano a ano.

E, pelo menos aqui no Brasil, a SAP tem motivos para contar vantagem sobre a concorrência, incluindo a transferência de executivos chave, como Sandra Vaz e  Desmond Mullarkey, e o roubo de contas referência de ERP como Gol e Tigre.

Claro que quando a empresa em questão é a Oracle, três tristes trimestres podem ser apenas um trava línguas chato, e não uma sentença de morte. É esperar para ver.

Maurício Renner cobriu o Oracle Cloud World em São Paulo à convite da Oracle.