Funcionário brasileiro da BMW em Araquari. Foto: Divulgação.

A BMW, uma das gigantes da indústria automobilística mundial, fechou um acordo para migrar dados de suas unidades de negócios e operações em mais de cem países para a AWS. 

O contrato engloba uma série de sistemas centrais de TI e bancos de dados do BMW Group para as funções de vendas, manufatura e manutenção. 

Além disso, as empresas vão investir na capacitação e treinamento de cerca de 5 mil engenheiros de software das afiliadas do BMW Group sobre as últimas tecnologias da AWS, certificando mais de 2 mil profissionais desse grupo nos serviços AWS, com ênfase em machine learning e data analytics.

A BMW já tinha um um data lake no Amazon Simple Storage Service (Amazon S3), chamado Cloud Data Hub, a partir do qual funcionários tem acesso ao Amazon SageMaker (serviço para construir, treinar e implementar rapidamente modelos de machine learning na nuvem e em edge) para áreas de engenharia, manufatura, vendas e performance de veículos.  

Além disso, a gigante alemã usava o Amazon Elastic Kubernetes Service (Amazon EKS), em conjunto com ferramentas de código aberto para a gestão de blockchain com o objetivo de aprimorar a rastreabilidade de peças automotivas e matérias-primas críticas ao longo de toda a cadeia de suprimento global.

“Estamos colocando os dados no centro de nosso trabalho e estamos ansiosos para colaborar com a AWS, unindo nossos talentos, continuando a elevar os níveis de inovação entre as montadoras e proporcionado experiências inéditas e interessantes para nossos clientes ao redor do mundo”, afirma Alexander Buresch, CIO e Vice-Presidente Sênior de TI do BMW Group. 

A BMW tem 31 unidades de produção e montagem em 15 países, incluindo no Brasil em Araquari, Santa Catarina, onde já investiu mais de R$ 1 bilhão e produz hoje cinco modelos, atendendo o mercado brasileiro.

Grandes montadoras tem fechado acordos com grandes players de computação em nuvem com frequência.

O Grupo Renault fechou um acordo em julho com o Google para usar a nuvem da gigante de TI como base para a plataforma digital da montadora francesa, que conecta informações de 22 plantas em todo o mundo.

Agora, com o Google no barco, a Renault vai agregar funcionalidades de análise inteligente de dados, machine learning (ML) e inteligência artificial (IA) visando aprimorar a produção e cadeia de suprimentos, a qualidade dos produtos e economizar energia. 

Quem leva a dianteira até agora, no entanto, é a AWS, líder no mercado de nuvem.

A Volkswagen fechou em 2019 um mega contrato com a AWS, por meio do qual dados de 122 fábricas da montadora alemã serão processados na nuvem da companhia americana.

O contrato é para a construção do chamado Volkswagen Industrial Cloud (VIC), uma “plataforma de produção digital aberta”, por meio da qual a montadora quer melhorar processos de manufatura e logística, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade do produto final.

Já a Ford começou um projeto para criar uma plataforma de nuvem aberta voltada para o desenvolvimento futuro de carros conectados agora terá suporte da Amazon Web Services (AWS).

Os players mais tradicionais também estão se mexendo. Em março, Capgemini e Audi formaram uma joint venture, focada em serviços de nuvem e no S/4 Hana, a última geração do software de gestão da SAP.

Montadoras tem operações de manufatura sofisticadas, espalhadas por diversos países, além de um modelo comercial particular, envolvendo concessionárias. É um cliente ideal para um projeto complexo de TI.

Não é de hoje que as companhias do setor tem uma relação íntima com a área de TI. A Volkswagen, para dar um exemplo, tinha uma empresa de TI própria. Criada ainda nos 80, a Gedas chegou a ter 5,5 mil funcionários e um faturamento de € 600 milhões. A empresa foi vendida para a T-Systems em 2006.