IBM tem uma presença de décadas no Brasil. Foto: https://www.flickr.com/photos/emaringolo/

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A IBM fez uma grande alteração no seu modelo de atuação no Brasil, enxugando os times locais focados nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

Segundo a reportagem do Baguete pôde averiguar com fontes próximas, foram cortadas as posições na área de vendas.

Permanece um time de serviços focado nos contratos ativos. As vendas devem ser feitas agora pelo time na sede, em São Paulo, ou através dos parceiros da IBM nas regiões.

A reportagem do Baguete procurou a IBM. Por meio da sua assessoria de imprensa, a multinacional emitiu uma nota que não desmente nem confirma as informações, ou mesmo diz muita coisa:

“A IBM avalia frequentemente seu real estate para atender as necessidades de nossos funcionários e clientes, e nossa força de vendas está presente em várias cidades do Brasil”, diz o texto na sua íntegra.

A IBM é um pouco mais opaca do que a média das grandes empresas de tecnologia sobre suas operações no Brasil, com complicação de um organograma complexo, dentro dos quais os executivos se mexem internamente com frequência.

O site da empresa, por exemplo, não traz os telefones de contato das diferentes filiais no Brasil, apenas a central na já mítica sede da Rua Tutóia, em São Paulo.

Seja como for, o movimento pendular entre presença direta e atuação por parceiros, sempre no ritmo das projeções de crescimento de mercado, é natural em grandes empresas, ainda mais entre aquelas com décadas de atuação no Brasil como a IBM.

As empresas falam mais quando estão ampliando as operações. Em 2010, por exemplo, a IBM convocou jornalistas de todo o país para o seu centro em Hortolândia, no interior de São Paulo, para anunciar a ampliação da sua presença direta para 20 cidades brasileiras, como parte de uma estratégia para ampliar a relevância das vendas fora do eixo Rio-São Paulo.

De maneira típica, a IBM não divulgou na época a lista completa das cidades, mas ela incluía um reforço da presença em capitais como Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Belém e Vitória, e a estreia em cidades pólo como Ribeirão Preto, Uberlândia e Caxias do Sul.

Os novos destinos foram escolhidos pelo potencial de compra de TI do mercado na época. Mas era outro mercado e também outra IBM.

Nos anos seguintes ao anúncio de Hortolândia, a IBM começou um grande reposicionamento mundial, colocando maior ênfase em tecnologias em alta como cloud, inteligência artificial, segurança, blockchain e computação quântica, no lugar de hardware e serviços, nos quais as possibilidades de lucros são menores.

Essa transição, que ainda está em curso e chegou a impor à IBM 22 trimestres consecutivos de queda na receita, levou a uma reorganização no Brasil em 2017.

Na época, foi criada no país uma unidade de negócios especialmente focada nos chamados "imperativos estratégicos".

Mais recentemente, a IBM iniciou um novo movimento mundial, com a criação da NewCo, spin off do negócio de gerenciamento de infraestrutura da gigante de tecnologia.

A nova NewCo trabalhará com desenvolvimento de projetos, ao gerenciamento e à modernização da infraestrutura dos clientes, tendo mais liberdade para trabalhar com outros provedores de nuvem, além da IBM.