Erick Beltrami Formaggio, Chief Data Officer da Digital Business. Foto: divulgação.

Hoje eu vou fugir um pouco dos temas que geralmente escrevo para falar um sobre o ano de 2020. Embora muitos tenham feito previsões e filosofias sobre, creio que a minha contribuição pode ajudar àqueles que ainda não conseguiram se encontrar diante de tudo o que aconteceu.

Eu tive a ideia de escrever esse texto quando estava assistindo a uma palestra do Amyr Klink, grande navegador, que muito me inspirou com as suas aventuras. Homem resiliente, cujos feitos extraordinários colocam-no em um patamar de exclusividade, o qual poucos alcançarão.

Assistindo a sua palestra, eu lembrei muito dos seus livros e, em especial, um deles: “Cem dias entre o céu e o mar”, o primeiro que eu li e o mais marcante.

O que mais me chamou a atenção eram os momentos mais solitários da aventura. O mar é algo antigo, misterioso e que exige respeito dos navegadores.

Nessa jornada, foi possível perceber a busca de um homem que lutou contra todas as adversidades possíveis para ficar sozinho, com o mar e tudo aquilo que o envolvia.

Eu sempre me questionei sobre o que ele teria sentido em alguns daqueles momentos. A resposta encontrada foi que tudo ocupava o seu tempo, afinal, era necessário fazer a manutenção do barco, contagem de provisões, medições de rota, etc.

Na calma, no descanso, o sentimento poderia ser algo sem nome, sem tradução.

 

O ano que passou e as lições do mar

O Ano de 2020, para muitos de nós, não foi somente um ano de perdas, não foi um ano sobre uma pandemia, foi um ano sobre nós mesmos. Foi a jornada da nossa geração, a grande aventura, a ficção que virou realidade.

Vimos coisas que imaginávamos somente nos filmes e, no final de tudo, no silêncio, quando ninguém estava olhando, nós nos reencontramos e encontramos a quem realmente somos.

Amyr comentou, na sua palestra, que quando temos bonança, temos ineficiência. Quando temos só o que precisamos e vivenciamos situações de alta pressão, temos de economizar recursos, ficamos vigilantes, atentos.

Ouvindo isso, eu não me surpreendi com alguns discursos de amigos empresários, comentando sobre um ano difícil, mas com bom resultado.

As lições das histórias de Amyr são muito simples, para tudo basta tempo, planejamento e trabalho.

 

Concretizar pode demorar

Concretizar alguns planos pode demorar, desde que você esteja trabalhando duro. Quanto maior o sonho, o projeto, a meta, maior o tempo necessário, e as fases serão longas.

Nós vivemos em uma geração que gosta de resultados rápidos quando, às vezes, é mais importante saber quem você se transformará no processo, até concluir os seus objetivos. Tenha em mente que talvez algumas coisas precisem demorar, desde que você esteja em constante movimento e tenha uma visão do todo.

 

Dê o primeiro passo

Às vezes, nós temos medo de dar o primeiro passo em busca de algo que desejamos muito, pois o conforto acaba sendo mais atraente, um autoboicote.

A cultura da motivação não ajuda nesse sentido. Logicamente, que a motivação é algo que pode ajudar no início de um plano, da construção de uma meta, mas não dura para sempre.

Se você tem um sonho, se precisa fazer algo, será necessário fazer simplesmente porque você assumiu um compromisso consigo mesmo. Não pense muito, faça, não dependa de motivação o tempo todo, dependa somente da sua disciplina.

 

Prepare-se muito

Você pode qualquer coisa, desde que se prepare muito. A sua vida não se resume a concluir a sua meta. Durante o processo de aprendizado e de preparação, você se transforma, e a sua vida ganha fôlego.

Lendo os livros do Amyr Klink, percebi que, na execução dos seus planos, ele conheceu pessoas, técnicas, conceitos, estudou e passou por situações que não esperava, dentre elas, frustrações e alegrias.

Quando você executa algo que irá impactar no seu destino, na sua lenda pessoal, você muda e vive experiências que serão importantes para você. Talvez isso seja mais relevante do que os seus próprios objetivos. Isso é viver.

 

Você é sua melhor companhia

Mesmo que esteja sozinho, não está. Em uma das suas entrevistas, Amyr comenta que, na cidade, nós temos água encanada, rede elétrica, supermercado, pessoas ao redor e que ele se viu completamente sozinho quando, em uma das suas viagens, percebeu que dependia exclusivamente dele para viver.

Ocorre que muitos de nós nos sentimos sozinhos mesmo cheios de pessoas ao redor. Essa pandemia só fez crescer essa sensação. O que poucos aproveitaram, foi o poder da solitude para crescer, evoluir e olhar para dentro de si.

Muitas pessoas, nessa pandemia, aproveitaram que não podiam sair para lazer, ver amigos, etc, para fazer exercícios, estudar, fazer cursos e fazer planos. Faça de você mesmo uma boa companhia.

 

Afaste-se de pessoas negativas

Os seus planos e metas só importam para você. As pessoas, mais bem sucedidas que eu conheço são reservadas, aproveitam os benefícios das suas vitórias, mas não as ostentam para ninguém.

Ter os seus planos e metas só para si, também é um ato de amor próprio e de confiança no seu potencial. Valide as suas ideias só com pessoas que já passaram pelo que você está prestes a passar. Pessoas que foram vitoriosas nos seus planos e são exemplos para você.

 

Planejar significa mitigar riscos

Isso é algo que eu percebo que Amyr faz a todo o momento. Tenha sempre um plano A, B e C. Considere a vitória, mas previna-se de problemas e tenha redundâncias nos seus pontos críticos.

Anote as suas metas para 2021, faça um passo a passo para atingir cada um dos seus objetivos, os riscos envolvidos e revise toda semana. Seja disciplinado e tenha em mente que o seu desenvolvimento pessoal impacta em todas as áreas da sua vida.

 

*Por Erick Beltrami Formaggio, Chief Data Officer da Digital Business.