Torcedor do Flamengo. Foto: .flickr.com/photos/alexcarvalho

A SAP está em contato com meia dúzia de clubes de futebol brasileiros interessados em implementar um software de gestão da companhia.

Os nomes são mantidos em segredo, mas o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, foi visto circulando no SAP Fórum, evento da empresa que reúne 9 mil pessoas em São Paulo e encerra nesta quinta-feira, 13.

Fontes ouvidas pelo Baguete apontam que são esperados também representantes do Santos e do Guarani. 

O que existe de concreto até agora, no entanto, é um contrato para implantação do software de gestão para pequenas e médias Business One no Palmeiras fechado em novembro do ano passado.

A implementação é conduzida pela chilena Exxis, que chegou no Brasil em 2012 e tem entre seus clientes a Universidad Católica, um dos clubes mais populares do país.

A Exxis é o maior canal de B1 da América Latina, com mais de 500 implantações e presença em seis países, mas ainda é uma empresa relativamente pequena por aqui, com 17 funcionários, dois projetos entregues e outros 14 em implantação.

O futebol brasileiro é só uma pequena parte de uma ofensiva geral da multinacional alemã dentro do que é a 25ª vertical de mercado da empresa: a indústria de esporte e entretenimento.

"O esporte é hoje um business e a SAP tem tanta capacidade de ajudar como tem nos segmentos de bancos, varejo e manufatura", afirma Gustavo Amorim, VP de Markteting da SAP para Sul da América Latina, região que inclui o Brasil.

O grande case da empresa quando o assunto é futebol é o alemão Hoffenheim, no qual jogadores são monitorados eletronicamente durante treinamentos e o técnico usa um Google Glass para acompanhar o desempenho em tempo real.

Os atletas tem seu posicionamento em campo corrigido com uso de tablets nos quais é possível avaliar as linhas de passes e outras informações. 

Os torcedores tem apps com alguns desses dados e outras funcionalidades, como comprar artigos com desconto.

No entanto, o Hoffenheim, que na última década passou do status de time amador de uma cidade de pouco mais de 3 mil habitantes para a Bundesliga, onde está hoje, é um case muito difícil de replicar.

As diferenças começam pelo fato do clube ter recebido um investimento milionário de Dietmar Hopp, um dos fundadores da SAP e também um ex-jogador do clube, o que provavelmente explica o enorme sucesso do Hoffenheim tanto quanto o uso intensivo de tecnologia.

A SAP tem outros cinco clientes no futebol alemão - a lista de nomes inclui o Bayern de Munique e o Hertha de Berlim - ambos usuários em menor medida da tecnologia da empresa. 

O esforço da SAP para entrar nesse mercado tem talvez mais a ver com visibilidade e divulgação do que propriamente com faturar dinheiro vendendo licenças.

É fácil ver isso em cases como NBA, para quem a empresa provê um site de estatísticas, assim como a NFL. A McLaren, na Fórmula 1, usa software analítico da empresa para prever quando uma peça está prestes a quebrar, entre outras funções.

Todos esses casos são amplamente explorados em apresentações como maneiras de vender os produtos da empresa que cativem a atenção do público.

"Nós pretendemos ter o retorno do nosso invetimento nessa área em dois anos. Será uma composição de faturamento e retorno de imagem", revela Amorim, destacando como exemplo a última SuperBowl, no qual a SAP teve exposição gratuita no evento mais cobiçado pelos anunciantes americanos.

Como tudo isso vai acontecer no futebol brasileiro, com clubes endividados e, principalmente, gestão amadora, é ainda uma incógnita. Algumas aproximações da SAP já falharam, como com o Fluminense e o Grêmio.

O clube carioca faria a implementação de um ERP, o que não aconteceu, e o gaúcho cogitava o sistema em um negócio envolvendo os naming rights da Arena que também não se concretizou. A SAP não chegou a falar oficialmente de nenhum deles.

A expectativa da SAP, como de outros tantos envolvidos com o esporte nacional, é que a construção das arenas para a Copa do Mundo e os resultados de pioneiros, como o Palmeiras, contribuam para uma maior profissinalização da gestão do esporte nacional.

Mais problemático ainda pode ser a cultura do futebol brasileiro, que nunca desenvolveu o amor pelas estatísticas característico dos torcedores americanos, e, cada vez mais, dos europeus.

Um exemplo resumirá bem o caso. Durante outra apresentação no SAP Fórum, Diego Dzodan, diretor da SAP para Sul da América Latina, usou dados reais de times brasileiros para fazer simulações em uma solução de inteligência analítica.

Avaliando o Vasco nos últimos anos, Dzodan concluiu que, pasmem, escanteios curtos eram 40% mais eficientes do que o tradicional método de tocar a bola na área.

Com os dados não se briga, mas quem pode acreditar numa coisa dessas? Toca a bola na área!

* Maurício Renner cobre o SAP Fórum em São Paulo à convite da SAP.