Carlos Alberto Freitas.

A Central IT, empresa de serviços de TI com sede Brasília e forte atuação no setor público, acaba de se tornar uma Sociedade Anônima (S/A), criando um conselho de administração e modificando a estrutura de comando da companhia.

Carlos Alberto Freitas, até então presidente executivo da Central IT, passa a ser presidente do conselho de administração.

A gestão da empresa será comandada por terá três vice-presidências, as quais serão conduzidas por lideranças de âmbito administrativo, comercial, de negócios e operacional. 

“Esta transformação é fruto do empenho e da confiança que nos trouxeram ao lugar em que nos encontramos hoje, sempre fiéis à missão de colaborar para o crescimento e o desenvolvimento do país. É o início de uma nova jornada”, afirma Freitas em comunicado divulgado para o mercado.

As modificações na Central IT ainda são muito internas. Os VPs serão respectivamente Vânia Oberger, Antonio Jorge Soares de Souza e Elton Lima, todos nomes que já estavam na Central IT. 

Oberger é a que mais anos de casa tem, com 10 anos. Souza está há quatro anos e meio e tem passagens em cargos de diretoria na operação Brasília de empresas como Infra e Politec. Já Lima começou a carreira como analista na Central IT em 2012.

O conselho administrativo, uma estrutura na qual tradicionalmente as empresas incluem alguns nomes de fora, ainda está em fase de definição do número de membros.

A Central IT tem 1,4 mil funcionários e atende hoje 50 contratos em clientes como Ministério da Economia, Datasus e ANAC, com serviços que vão desde gestão de documentos, até computação em nuvem, passando por service desk, gestão de documentos e consultoria.

O faturamento no ano passado foi de R$ 200 milhões. Em 2013, a empresa havia faturado R$ 67,5 milhões, o que mostra que a Central IT atravessou relativamente bem os anos de crise.

A movimentação da Central IT acontece num contexto mais amplo de adaptação do setor de software às exigências da Lei Anticorrupção de 2013, que na sua regulamentação de 2015 estabelece exigências para companhias que vendem para o governo.

A nova legislação incentiva a adoção de medidas de transparência, aumentando o interesse no país pela  ISO 37001, que atesta a aderência a padrões mundiais para evitar a prática de subornos em vendas para o governo, por exemplo.

A Lei Anticorrupção estabelece que a existência de um “comitê de integridade” pode contar como um atenuante para penas relativas a delitos de corrupção em negócios com o governo.

Empresas como a Central IT estão no topo da cadeia alimentar. 

O problema é que a maior parte das compras de software do governo muitas vezes passam por intermediários que estão numa grande "zona cinza".

Uma matéria do Globo em 2018 apurou que dos R$ 4,8 bilhões gastos em TI no ano passado pelo governo, R$ 3 bilhões (62,5%) foram parar sem licitação na mão de uma constelação de empresas sediadas em Brasília, uma parte delas de fachada.

Ao todo, foram localizados 70 endereços de empresas que só existiam no papel. O jornal não chega a dizer quantas empresas compunham o grupo inicial.