Terrorista queria explodir data center da AWS. Foto: Pexels.

Um homem projetava atacar com explosivos um data center da Amazon Web Services em Ashburn, no estado americano da Virgínia, uma ação que ele acreditava ser capaz de derrubar 70% da Internet numa tacada só.

Seth Aaron Pendley foi preso nesta sexta-feira, 9, depois de comprar o que acreditava serem explosivos do tipo C-4 de um agente do FBI. 

Disponível desde os anos 50, o C-4 é um dos explosivos com maior poder destrutivo e é tradicionalmente usado em ataques terroristas.

O FBI chegou em Pendley após uma denúncia anônima de um usuário do site MyMilitia.com, um fórum online de grupos paramilitares americanos. 

A denúncia foi feita em 8 de janeiro, dois dias depois da invasão do Capitólio, na qual Pendley afirma ter tomado parte, segundo ele mesmo contou no seu perfil de Facebook (talvez fosse melhor ser mais discreto, Pendley).

De acordo com conversas registradas pela polícia americana, o ataque visava destruir servidores que Pendley acreditava servirem ao FBI, CIA e outras agências federais americanas, no que seria uma tentativa de derrubar a “oligarquia” no comando dos Estados Unidos.

Por tabela, ele também acreditava poder tirar do ar 70% da Internet do ar, o que, convenhamos, é bastante coisa. 

Não surgiram maiores detalhes até agora sobre como afinal Pendley projetava colocar e detonar a quantidade suficiente de explosivo dentro de uma estrutura desse tipo. Mesmo assim, se condenado, ele pode pegar até 20 anos de prisão.

Mas, supondo que ele conseguisse, quanto estrago um ataque desse tipo poderia causar?

Bom, para começar, Pendley estava certo sobre o local a atacar. Os centros de dados da Amazon Web Services na Virgínia foram os primeiros da empresa quando do começo das operações, em 2006.

A proximidade com Washington torna a região um centro de agências de segurança e empresas de tecnologia ligadas ao setor de defesa americano, além de ser um dos nós centrais do backbone de Internet dos Estados Unidos.

Sobre a alegação dos 70%, não é possível saber se um ataque poderia ter dimensões nesse porte, mas sim se sabe que falhas na infraestrutura da AWS nos Estados Unidos podem ter consequências aqui no Brasil. 

Em março de 2018, por exemplo, o site Mercado Livre, um dos maiores sites de comércio eletrônico do país, ficou fora do ar por quatro horas devido a um problema em um data center da AWS na Virgínia.

Numa ligação telefônica (a empresa não dá retorno por escrito), a Amazon Web Services explicou que o problema foi causado por “uma queda de energia num ponto de conexão redundante na Virgínia”, afetando “um pequeno número” de clientes brasileiros que usam uma conexão direta com os centros localizados no estado americano.

Um ponto de conexão redundante, não um ataque com explosivos. Por outro lado, a afirmação de que 70% da Internet poderia sair do ar porque um maluco explodiu um data center parece algo exagerada. 

É fato sabido que as gigantes de computação em nuvem oferecem estruturas altamente redundantes e que a maioria das organizações faz o investimento necessário para garantir a continuidade das operações em qualquer cenário.

Certo?