Ricardo Brognoli. Foto: Baguete.

Uma das bandeiras levantadas pela HP em seu evento Discover, em Las Vegas, foi a do lançamento de novas tecnologias e soluções de alto nível para o mercado corporativo global. No entanto, para o mercado brasileiro o ritmo é outro, mas a multinacional acredita que o “atraso” pode ser menor desta vez.

“Na adoção de novas tecnologias, o mercado brasileiro demora um pouco, mas está surpreendendo, adotando novidades com mais rapidez”, destacou Ricardo Brognoli, vice-presidente do Enterprise Group da HP no Brasil.

O executivo acredita que soluções de rede, software e de nuvem, como o Haven e Helion, podem ter adoções mais velozes no país, em sintonia com as unidades de pesquisa e desenvolvimento da empresa instaladas no Brasil.

O Tecnopuc, em Porto Alegre, é sede de um centro de P&D da empresa, onde a companhia toca projetos em parceria com telecoms e companhias como Intel.

No caso do Helion, rede global baseada em padrões abertos para cloud, usando OpenStack, a iniciativa movimentará investimentos de cerca de US$ 1 bilhão nos próximos dois anos, incluindo a criação de vinte novos data centers ao redor do mundo.

Segundo Brognoli, o Brasil está no mapa da HP para estes investimentos, embora não tenha dado detalhes sobre quando ou como eles podem chegar.

“Desde que a Meg (Whitman) assumiu a empresa, há dois anos e pouco, a empresa recuperou seu foco em inovação. No Brasil, temos como meta investir 4% de nosso faturamento em P&D, enquanto a média global é de 2,5%. Nos últimos dez anos, investimos cerca de R$ 400 milhões nesta parte”, afirma.

Na parte de hardware, o executivo afirma que este é um quadro mais complicado, devido aos altos preços de importação e as demandas por fabricação local para tornar os valores mais competitivos.

De acordo com o VP, novas tecnologias, como o HP Apollo, família de sistemas supercomputação e Converged Systems para Hana, já estão disponíveis para clientes brasileiros interessados, mas sob importação.

“A empresa trabalha com um portfólio global, mas ainda é cedo para fazer uma estratégia de vendas no Brasil para estes produtos. Mesmo assim, acredito produtos como o da memória all-flash terão uma demanda significativa”, diz Brognoli.


USUÁRIO FINAL

Brognoli também comentou sobre a mudança de foco da empresa, querendo reforçar sua atuação no segmento corporativo e de serviços, colocando de lado seu histórico no hardware de usuário final, como PCs e impressão.

Segundo o VP,  junto ao público, a HP já está estabelecida no mercado de impressoras e PCs. No entanto, vale lembrar que no ano passado a empresa perdeu o primeiro lugar no market share global de computadores para a Lenovo.

Rebatendo, Brognoli explica que a companhia está “definindo em que mercado jogar e em que mercados não jogar”, deixando de disputar share pelo preço mais barato.

“O market share pelo market share não nos interessa mais, especialmente o consumidor final, porque é uma guerra de preços. No corporativo, entretanto ainda somos líderes e estamos crescendo”, disparou.

* Leandro Souza viajou a Las Vegas a convite da HP.