Funcionários da Prosegur. Foto: divulgação.

A Prosegur lançou no CIAB um sistema “reciclador de células”, uma novidade que torna uma das maiores companhias de carros forte do mundo numa concorrente direta da fintech gaúcha, cujos ATMs tem uma função parecida.

Batizado de Prosegur Smart Cash Reciclador, a novidade permite que o cliente deposite seu dinheiro vivo em um cofre, que também tem uma função de saques para terceiros.

O cofre-caixa da Prosegur pode ser integrado ao sistema de TI do cliente, compartilhando informações sobre a quantidade de notas processadas, controlando depósitos e retiradas. 

Para quem se questionar como a Prosegur vai garantir a segurança das informações, vale lembrar que a empresa comprou em dezembro do ano passado uma participação majoritária na Cipher, uma companhia de cibersegurança brasileira com presença internacional.

A cobertura securitária, o transporte dos valores e o crédito em conta bancária são de responsabilidade da Prosegur, uma gigante que registrou vendas de € 4.291 bilhões em 2017 e está listada nas bolsas de valores de Madri e Barcelona.

“A Prosegur está totalmente empenhada em atender o ciclo completo de serviços de meios de pagamentos, atingindo nossos clientes do mercado financeiro e chegando ao atendimento dos clientes finais, sejam eles pessoa jurídica ou física”, comenta Sérgio França, diretor comercial e de estratégia da Prosegur.

A empresa não chega a dizer isso, mas também é verdade que a função de saque garante que os carros forte precisem fazer menos visitas e sofram menos roubos no caminho, diminuindo custos.

Esse é exatamente a vantagem da instalação em muitos locais de um caixa eletrônico da Saque e Pague, fundada em 2014 e parte do grupo de empresas do empresário gaúcho Ernesto Corrêa, investidor por trás da criação da GetNet.

A empresa ficou conhecida pelos seus caixas, que hoje já somam 1,3 mil unidades em 18 estados. Até onde a reportagem do Baguete pode averiguar, a empresa era a única até agora a fazer uma aposta forte na função de reciclagem de células no Brasil.

Ainda que o uso dos caixas da Saque e Pague como “tesouraria terceirizada” fosse um dos principais atrativos no começo, hoje a empresa evoluiu em outra direção, tendo uma oferta bem mais ampla.

A Saque e Pague tem 24 clientes já dentro da sua plataforma e outros tantos em fase de integração.

O conjunto reúne desde bancos regionais, como o gaúcho Banrisul e o paraense Banpará, até cooperativas de crédito como a Unicred, empresas de cartão como a Edenred Brasil, dona do Ticket Empresarial e Ticket Pagamentos e a fintech de carteira digital Soma+.

A fintech oferece a eles uma gama crescente de serviços, hoje somando 40 em total, que deve incluir em breve atendimento personalizado usando a plataforma de inteligência artificial Watson, da IBM.

Além do suporte do grupo Ernesto Correa, a companhia tem também por trás a Stefanini, gigante de TI brasileira com forte presença no segmento financeiro, desde 2015 dona de 40% da empresa.

O faturamento da Saque e Pague em 2018 foi de R$ 91 milhões, um crescimento de quase 35% comparado ao período anterior. Para 2019 a previsão é crescer acima de 60% e investir R$ 50 milhões em segurança, tecnologia e em outras áreas.