Gavriella Schuster, chefe de canais da Microsoft.

O fim do pacote de soluções da Microsoft disponíveis a preços camaradas para os canais pequenos, o chamado Microsoft Action Pack, foi explicado pela Microsoft nesta quinta-feira, 11.

A empresa decidiu ser franca sobre o assunto, colocando executivos de peso para dar as caras sobre o tema com a imprensa e em canais públicos.

A explicação é simples: com ao redor de 7 mil novos canais novos entrando todo mês, a empresa não pode mais bancar software subsidiado para todo mundo. 

"Nós não pensamos para valer nisso até bem recentemente, quando a conta começou a ficar muito grande", resumiu Gavriella Schuster, chefe de canais da Microsoft. “Às vezes é preciso fazer decisões duras”, agregou a executiva, há 20 anos na empresa e desde 2016 no cargo atual.

Na versão de entrada oferecida aos parceiros de nível inicial, o Action Pack incluía cinco licenças de Office 365, cinco de Dynamics 365, 10 pacotes Windows 10 Enterprise e US$ 100 de crédito mensal na Azure, entre outros, pelo preço muito camarada de US$ 475 ao ano (a reportagem não localizou o preço brasileiro, mas essas coisas seguem uma média global).

Na prática, era possível rodar um pequeno canal em software subsidiado pela Microsoft só se inscrevendo no programa, que autorizava uso das soluções para “fins internos de negócios”. 

Agora, a barbada se aplicará somente a “cenários de desenvolvimento de negócios”, como “propósitos de demonstração, desenvolvimento de soluções/serviços e treinamento interno”.

De acordo com Schuster, os incentivos da Microsoft foram concebidos em outra era, para o modelo tradicional de software on premise.

"A Microsoft tinha software e o parceiro revendia, implantava ou integrava ele. Mas os serviços cloud mudam isso e colapsam essa cadeia de suprimentos", resumiu Schuster.

Em um post no seu blog, a Microsoft frisou que as condições atuais seguem valendo até 1º de julho de 2020 para que os parceiros "tenham tempo de se planejar". 

"Entendemos que isso pode ser um ajuste para nossos parceiros, mas acreditamos que a evolução dos nossos investimentos em nossos parceiros de negócios permitirá que eles aproveitem melhor a oportunidade da nuvem”, agrega o post.

Agora é ver o que os parceiros da Microsoft acham dessas explicações. Uma petição online para reverter a medida já tem mais de 5 mil assinaturas.

"Com essas mudanças, a Microsoft está entrando em guerra com seus parceiros", ataca o texto.

Analistas do mercado de canais também acharam a medida desastrada.

“A Microsoft deve recuar de algumas dessas medidas ou vai prejudicar seu canal para pequenos e médios negócios”, comentou a empresa de análise de canais Canalys no Twitter.

Provavelmente, alguém na Microsoft fez uma conta e concluiu que a empresa estava investindo muito dinheiro para ter pouco retorno, ou talvez que já existem canais demais no mercado e que é hora de diminuir o número.

Mas e medida parece dura demais. Se a intenção era cortar parceiros que eventualmente estavam usando o programa como um trem da alegria, medidas poderiam ser tomadas para cortar esse tipo de canal.

Ao cortar o benefício para todos ao mesmo tempo, a Microsoft parece ter comprado uma briga desnecessária.