Symantec marcou uma época, mas atravessava um momento ruim nos últimos anos.

A Broadcom fechou a compra da Symantec por US$ 10,7 bilhões, anunciaram as empresas em nota divulgada na sexta-feira, 09.

A negociação entre as duas empresas já era pública desde o começo de julho. A Broadcom começou oferecendo US$ 15 bilhões, mas a Symantec achou pouco.

Quando a informação de que o negócio havia afundado se tornou pública, as ações da Broadcom subiram e as da Symantec caíram, um recado dos mercados de que a gigante de segurança não está com essa bola toda.

A Symantec ouviu o recado e acabou fechando a venda por US$ 5 bilhões a menos do que tinha inicialmente pedido.

Para a Broadcom, o negócio faz parte de uma sequência de compras, iniciada com a Brocade em 2017 e seguida pela CA em 2018.

A estratégia parece ser entrar no mercado de infraestrutura de maneira mais ampla, deixando de ser apenas uma fornecedora de processadores, controladores de rede e chips WiFi (as novas áreas já são um terço da receita total).

A Brocade, pela qual a Broadcom pagou US$ 5,5 bilhões, é conhecida pelos seus produtos para a área de redes. 

Já a CA, que custou US$ 18,9 bilhões, é forte em gerenciamento de identidades e acessos, além de ter um negócio legado em mainframes. A Symantec entrará com a parte de segurança de maneira mais ampla.

O que deve vir agora para a Symantec são cortes. Em nota, a Broadcom falou em “sinergias de custo” da ordem de US$ 1 bilhão por meio de reestruturações nos custos de estrutura e time de vendas. Na CA, a aquisição foi seguida de demissões, inclusive no Brasil

Se vem cortes por aí, por outro lado a venda oferece uma porta de saída de uma situação ruim, o que era mais ou menos o caso da CA, outra empresa que estava meio sem rumo na vida.

A Symantec demitiu seu CEO em maio, o quinto em oito anos, e está sem liderança no momento.

No ano de 2019, a Symantec ficou na mesma em vendas, passando de US$ 4,73 bilhões para US$ 4,83 bilhões. O lucro líquido sumiu, caindo de US$ 1,13 bilhão para apenas US$ 31 milhões.

A empresa é forte para segurança da informação em ambientes on premise, um tipo de arquitetura de TI em desuso. 

A Symantec comprou a Blue Coat, dona de soluções mais orientadas para cloud, visando sacudir isso um pouco, mas os resultados ainda não apareceram.