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Transformação digital: quais são os obstáculos?

Maurício Renner
// quarta, 12/09/2018 09:50

Todo mundo está falando sobre transformação digital. Mas qual é a diferença entre fazer um pequeno experimento bem sucedido com novas tecnologias e uma iniciativa que realmente transforme uma empresa?

Supere as barreiras! Foto: Pixabay.

O Gartner, em uma palhinha do seu Symposium/ITxpo 2018, que acontece de 22 a 25 de outubro, em São Paulo, fez uma lista de seis barreiras que CIOs precisam superar para transformar suas organizações em negócios digitais.

“É difícil mudar uma organização que é designada para um tipo de estrutura, orientada em processos mundiais para uma companhia voltada para ecossistemas, adaptação, aprendizado e experimentação. Algumas empresas vão navegar pelas mudanças e outras que não conseguirem vão ficar desatualizadas e serão substituídas”, aponta Marcus Blosch, Vice-Presidente de Pesquisa do Gartner. 

Confira na lista abaixo se a sua empresa tem ponta de que vai navegar pelas mudanças ou ser substituída:

Barreira número 1 - Cultura resistente a mudanças: A Inovação digital pode ser bem-sucedida apenas em uma cultura de colaboração. Os colaboradores precisam estar aptos para trabalhar além das fronteiras e explorar novas ideias. Na realidade, a maioria das organizações estão estacadas em uma cultura de resistência a mudanças e com hierarquias. 

CIOs com o objetivo de estabelecer uma cultura digital deveriam começar aos poucos: definir a mentalidade digital, reunir um time de inovação e protegê-lo de toda a organização para deixar a nova cultura se desenvolver. Conexões entre inovações digitais e equipes de apoio podem ser utilizadas para escalar novas ideias e espalhar a cultura.

Barreira número 2 - colaboração e compartilhamento limitado: A falta de vontade de compartilhar e colaborar é um desafio não apenas do ecossistema, mas também dentro da organização. 

Questões sobre propriedade e controle de processos, informações e sistemas tornam pessoas relutantes em compartilhar seu conhecimento. A inovação digital com times colaborativos e multifuncionais geralmente é diferente do modelo que profissionais estão acostumados, com funções e hierarquias – resistência é inevitável. 

“Não é necessário ter todos a bordo nos estágios iniciais. Tente encontrar áreas onde os interesses se sobrepõem e crie um ponto de partida. Construa uma primeira versão, teste a ideia e use histórias de sucesso para ganhar o impulso necessário para dar o próximo passo”, diz Blosch.

Barreira número 3 - o negócio não está pronto: Muitos líderes de negócios são arrebatados pelo Hype em torno dos negócios digitais. Mas quando os CIOs ou CDOs (Chief Digital Officers) desejam começar o processo de transformação, acontece de o negócio não ter as competências ou recursos necessários. 

“CIOs deveriam abordar a disponibilidade digital da organização para alcançar uma compreensão sobre os negócios e sua prontidão para TI”, aconselha Blosch. “Então, foque nos adotantes iniciais com vontade e mente aberta para mudanças e impulsione a digitalização. Mas, mantenha em mente que a inovação digital precisa ser relevante não apenas para certas áreas da organização”.

Barreira número 4 – Gap de talentos: Muitas organizações seguem um padrão tradicional – organizadas em funções como TI, vendas e supply chain e são amplamente focadas em operações. Mudanças podem acontecer devagar nesse tipo de ambiente. 

A inovação digital requer uma organização para adotar uma abordagem diferente. Pessoas, processos e tecnologia são combinados para criar novos modelos negócios e serviços. Colaboradores precisam de novas habilidades focadas em inovação, mudança e criatividade juntamente com novas tecnologias em si, como Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT). 

“Há dois métodos para conter o gap de talentos – upskill e bimodal”, diz Blosch. “Em organizações menores ou mais inovadoras, é possível redefinir os papéis dos profissionais para incluir mais habilidades e competências necessárias para suportar o processo digital. Já em outras empresas, utilizar o método bimodal faz sentido ao criar um grupo separado para lidar com inovação dentro do conjunto de requisitos estabelecidos”.

Barreira número 5 – Práticas atuais não suportam os talentos: Contar com os talentos certos é essencial e fazer uso de práticas adequadas possibilitam aos talentos trabalharem efetivamente. 

Processos altamente estruturados e lentos não funcionam para digital. Não há modelos testados para implementar, mas toda organização precisa encontrar as práticas que melhor se aplicam a suas realidades. 

“Algumas organizações podem alterar para uma abordagem baseada em gerenciamento de produtos para inovações digitais porque isso permite interações múltiplas. Inovações operacionais podem seguir abordagens usuais até o time digital estiver preparado o suficiente para estender seu alcance e compartilhar as práticas aprendidas com os demais das organizações”, explica Blosch.

Barreira número 6 – Mudanças não são fáceis: Geralmente é tecnicamente desafiador e caro colocar em funcionamento modelos digitais. 

Desenvolver plataformas, mudar a estrutura organizacional, criar um ecossistema de parceiros – tudo isso demanda tempo, recursos e dinheiro. No longo prazo, empresas deveriam desenvolver competências organizacionais que tornem as mudanças simples e mais ágeis. 

Para isso, é necessário criar uma estratégia baseada em uma plataforma que suporte mudanças contínuas, elabore princípios e inove, permitindo que novos serviços sejam projetados a partir da plataforma e de seus serviços principais.

Maurício Renner