VP revelou um segredo aberto da SAP. Foto: Pexels.

Com a migração para a nuvem, é hora de adotar processos standard e esquecer customizações nos softwares de gestão.

A declaração sincera, ou o sincericídio, é do VP de gerenciamento de produto para S/4 Hana, Oliver Betz, que participou recentemente de um webinar do grupo de usuários SAP do Reino Unido e Irlanda, 

“Para que a adoção da nuvem aconteça, os clientes têm que concordar em adotar processos standard. Você não pode ter as modificações que você tem no mundo on premise. Não é assim que a nuvem funciona”, disse Betz, segundo relata o site britânico The Register.

Além de não poder customizar o software, os clientes também deverão aceitar um mínimo de duas atualizações por ano, podendo chegar até a uma por trimestre, disse Betz.

O VP comparou as atualizações dos sistemas de gestão na nuvem da SAP com as feitas nos pacote Office, que usuários não podem evitar.

Há alguns anos já SAP e os parceiros da multinacional alemã vem apostando em implantações mais rápidas, com versões preparadas para diferentes verticais nos quais são feitas configurações, e não desenvolvimento de software.

O discurso sempre foi que o cliente paga pelas melhores práticas embutidas no ERP. 

Por outro lado, na prática, muitos projetos incluem customizações porque as áreas de negócios enxergam valor na sua maneira de fazer as coisas - ou simplesmente não querem mudar muito elas.

As palavras de Betz ganham um peso adicional porque a SAP tem dito mais claramente nos últimos tempos que o futuro é nuvem e assinaturas, e não mais licenças e on premise.

Recentemente, o CEO da SAP, Christian Klein, reduziu as previsões de crescimento, em parte pela crise do coronavírus, mas em parte também como uma consequência da migração para a nuvem.

Em um primeiro momento, uma conversão da base para um modelo na nuvem impacta a receita, que fica diluída ao longo de um período maior. Por outro lado, a receita de assinaturas é mais segura no longo prazo.

Se a SAP está adiantando esse impacto para os investidores, também está se colocando na pressão de entregar uma conversão na base nos próximos trimestres.

Parte da mudança estratégica da SAP é apostar em implantações mais modulares, deixando de lado os mega projetos de ERP, comuns no começo dos anos 2000.

No médio prazo, ainda existem opções de hospedar licenças na nuvem, usando só a infraestrutura de parceiros. Mas a direção futura está clara e a SAP está sendo cada vez mais sincera sobre ela.