Fraude nas eleições cariocas? Hacker garante que sim. Foto: flickr.com/photos/caochopp/

Um hacker alega ter invadido a intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro nas últimas eleições, alterando resultados em favor de diversos candidatos, incluindo o atual presidente da Assembleia Legislativa fluminense, o deputado Paulo Melo (PMDB).

A informação foi revelada pelo jovem de 19 anos durante o seminário “A urna eletrônica é confiável?”, um evento para mais de 100 pessoas promovido por institutos de pesquisa política ligados ao PDT e PR nesta quarta-feira, 10, na Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro.

Identificado apenas como Rangel, o hacker falou acompanhado de um delegado da Polícia Federal. Segundo revela matéria sobre o assunto publicada no site nacional do PDT, o jovem estaria cooperando com as autoridades e encontraria-se sob proteção de testemunhas no momento.

“A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados  mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”, explicou Rangel, segundo o relato do site pedetista.

A rede de dados em questão é fornecida pela Oi, contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral para fornecer a estrutura de transmissão de dados durante a apuração dos votos em 25 estados do país nos quais tem cobertura – a única exceção é São Paulo. Foram 1,6 mil profissionais envolvidos na operação e manutenção dos sistemas de telecom.
 
Rangel afirmou no evento que a fraude era feita em beneficio de políticos com base eleitoral na Região dos Lagos no Rio de Janeiro, mas nomeou apenas o atual presidente da Assembleia Legislativa carioca como um dos beneficiados.

A manobra não teria sido detectado durante a invasão nem deixado rastros depois. O relato publicado pelo site do PDT não fala de nenhuma prova material apresentada por Rangel que comprove o feito.

Paulo Melo foi o quarto político mais votado no estado nas últimas eleições, com 120 mil votos. A cifra foi 10% superior aos resultados da eleição anterior, na qual o político também foi o quarto mais votado.

A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha do ex-governador Antony Garotinho, estava presente ao debate e afirmou que pretende averiguar as denúncias do hacker. Clarissa foi militante do PMDB até 2010, quando saiu do partido alegando perseguição política.

O PDT integra a base de apoio do governo Sérgio Cabral, assim como Melo.
A reportagem do Baguete Diário procurou a Oi, que disse que não tem contrato de serviço de intranet para a Justiça Eleitoral e nenhum contrato de prestação de serviços de criptografia e segurança de informação para o sistema eleitoral.

Já o TRT-RJ afirmou que a Intranet é responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral e que não iria se manifestar sobre o tema.

O TSE disse que o caso está sendo investigado pela Polícia Federal e que a Justiça Eleitoral só se pronunciará caso alguma votação seja questionada judicialmente.

Mesmo assim, o TSE afirma que o “sistema de votação eletrônico é seguro e inviolável”.

A Polícia Federal informou que um inquérito foi aberto antes do segundo turno, mas que os dados serão mantidos em sigilo.

O gabinete do deputado Paulo Melo não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa matéria.