Lenovo assume NetApp no país. Foto: Divulgação.

A divisão de data center da Lenovo acaba de assumir as operações da NetApp no Brasil, passando a oferecer as soluções de gestão de armazenagem e a gerenciar os canais da empresa no país.

Em nota, a Lenovo busca tranquilizar os canais da NetApp no Brasil, destacando que a mudança não altera a vida deles, em assuntos como  gerenciamento de oportunidades, dimensionamento e arquitetura de solução, cotação e níveis de descontos.

“Não haverá nenhuma mudança. Os procedimentos e caminhos continuarão os mesmos, assim como todo o modelo de venda que existe com eles”, garante a Lenovo em nota. “A NetApp continuará dando sequência e apoiando aos atuais processos de suporte e serviços nos negócios de seus canais e clientes”, agrega a Lenovo.

Um observador mais cético poderia dizer que se a intenção era manter tudo igual, talvez fosse mais fácil não fazer mudança nenhuma. 

De qualquer maneira, o negócio parece fazer sentido.

A área de data center da Lenovo se tornou independente do negócio de PCs no Brasil em 2018. Uma equipe foi montada com veteranos do segmento vindos da HP e IBM.

Rodrigo Guércio, o líder da área, é um veterano com passagens por HPE, AMD e Dell.

A empresa vem em alta no assunto servidores. De acordo com números do IDC, a companhia dobrou sua participação servidores baseados em processadores x86 no país, passando de 6% para 12%, entre o primeiro trimestre de 2018 e o mesmo período de 2017.

O portfólio de tecnologia de armazenagem flash, híbrida e nuvem da NetApp é um bom fit para os servidores e sistemas computacionais da Lenovo.

Já quem acompanha a operação da NetApp no país de perto pode ver que algo não estava indo bem, a começar pela alta rotatividade no comando da companhia nos últimos anos.

O último country manager, Marcio Kanamaru, não chegou a fechar um ano na posição, saindo em julho do ano passado. Não foi anunciado um sucessor para Kanamaru.

Antes dele, passaram pela posição Marcelo Piccin, por pouco mais de dois anos e Wagner Tadeu, outro executivo que não chegou a completar um ano. 

O único country manager com um pouco mais de tempo no cargo foi Marcos Café, que abriu a operação em 2008 e ficou até 2014.

A rotatividade era acompanhada de metas bastante ousadas: em 2015, a NetApp falava em ter 8% e 10% de seu faturamento vindo da América Latina em até três anos. 

As expectativas elevadas, combinadas à reversão econômica dos últimos anos tem feito vítimas entre empresas multinacionais de porte médio, com menos disposição para esperar o mercado virar.

No começo do ano, por exemplo,  a Riverbed, multinacional americana de gestão de aplicações em rede, decidiu deixar de ter presença direta no Brasil, demitindo o time local e deixando os negócios no país na mão de parceiros.

Assim como a NetApp, a a Riverbed tinha presença direta no Brasil desde 2008, quando abriu a operação afirmando que o país era o mercado com “maior crescimento potencial da companhia no mundo”.