Amit Zavery é mais um grandão da Oracle a se mudar para o Google. Foto: Oracle.

Amit Zavery, VP de Oracle Cloud Platform (PaaS), Middleware, Analytics e Java da Oracle, foi contratado pelo Google para assumir o cargo de VP de Engenharia na última segunda-feira, 11.

É uma contratação e tanto: Zavery é um executivo com 25 anos de Oracle e era o número 1 para o assunto nuvem na empresa desde a saída em setembro do ano passado de Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto da Oracle.

Kurian, outro veterano de duas décadas de Oracle, uma das figuras mais influentes da companhia nos últimos anos e cotado para um dia ser o CEO, foi contratado pelo o Google meses depois.

Provavelmente, foi decisão de Kurian contratar Zavery, o que pode ser um sinal de uma debandada maior da Oracle em direção ao Google.

Zavery deve liderar o time responsável pela plataforma de gerenciamento de APIs Apigee, informa a Reuters, que deu revelou a movimentação, confirmada depois pelo Google. A Apigee é resultado de uma compra de US$ 625 milhões em 2016.

A saída de Kurian e agora de Zavery é muito mais do que um caso de rotação de executivos no mercado de TI. 

Ela é consequência de um conflito interno sobre que estratégia seguir no mercado de computação em nuvem que opôs Kurian ao poderoso chefão Larry Ellison, fundador da Oracle.

Kurian se reportava diretamente para Ellison desde 2014.

Os dois CEOs da empresa, Safra Catz e Mark Hurd, reportam para o board da Oracle, que é presidido por Ellison, mas não para Elisson diretamente.

A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

De acordo com a Bloomberg, Kurian queria tornar mais softwares da Oracle compatíveis para rodar em nuvens públicas de concorrentes como AWS e Microsoft, num caso clássico de “se não pode vencê-los, una-se a eles”.

De acordo com números do Gartner, o setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%). 

O Google está só um pouco acima da categoria Outros, onde estão IBM, Oracle e outros players com menos de 2%. 

O mercado não gostou do novo modelo de balanço da Oracle, que torna mais difícil saber se a empresa está cumprindo suas promessas de progresso na nuvem.

Semanas atrás, Warren Buffet, um investidor conhecido por comprar e reter participações de empresas no longo prazo, vendeu aproximadamente US$ 2 bilhões em ações da Oracle.

A explicação de Buffet foi genérica, mas ainda assim, ruim para as pretensões da Oracle de ser um player relevante no assunto nuvem: “Eu não acho que entenda para onde a nuvem está indo. Estou impressionado pelo que a Amazon fez e pelo bem que está indo a Microsoft, mas eu simplesmente não sei para onde isso está indo”.

Pelo visto, Buffett não acreditou nas afirmações da Oracle de que ela é um competidor tanto de Amazon quando Microsoft, que lideram de longe o mercado de nuvem pública, como do Google, que é o terceiro lugar e agora rouba seus executivos em série.