Vale a pena ficar de olho na disputa pelo mercado de óticas. Foto: Pexels.

Tamanho da fonte: -A+A

A próxima grande rivalidade do mercado de tecnologia do Brasil parece que vai vir de um nicho pacato: software de gestão para óticas. 

A disputa é entre a gigante Linx, especialista em software para varejo, e a Ipê Digital, um player de nicho recentemente comprado pelo fundo Nuvini.

Nesta quarta-feira, 12, a Linx anunciou o lançamento de uma versão da sua solução Microvix voltada para o segmento, o Microvix Vision.

“Queremos expandir nossa presença em óticas no Brasil significativamente, trazendo toda a qualidade e suporte pelos quais a Linx é reconhecida”, projeta Caio Camargo, diretor comercial da Linx.

O novo software da Linx cobre algumas necessidades específicas do negócio de óticas, realizando demonstrações interativas em aplicativo para os consumidores, simulando lentes progressivas, antirreflexo e polarizadas, por exemplo.

A Linx também traz uma visão de digitalização completa do varejo ótico, um segmento ainda muito dependente de lojas físicas no Brasil.

“O consumidor de óculos, que ainda tem a cultura de provar o produto pessoalmente. As óticas começam a desenvolver soluções digitais para suprir esse desejo, mas, nesse primeiro momento, o movimento deve ocorrer principalmente de forma omnicanal, ou seja, integrando loja física e on-line”, acredita Camargo.

A Linx dispensa apresentações, com 45,6% de market share do mercado varejista, conforme atesta o IDC. A empresa esteve no centro das atenções em 2020, quando Stone e Totvs disputaram a sua compra. Ganhou a Stone, que pagou R$ 6,8 bilhões pela empresa.

O adversário da Linx é pequeno, mas tem um peso específico grande nesse segmento. 

Sediada em Uberlândia, a Ipê Digital afirma ser a maior plataforma de sistema de gestão para óticas do Brasil, com uma base de 3,8 mil clientes que equivaleria a 10% do mercado nacional.

A Nuvini, grupo de empresas de software como serviço, comprou a Ipê por um valor não revelado em março e disse que a meta era levar a participação para entre 20% e 30%.

“Queremos dar o próximo passo e avançar estrategicamente para conseguir uma parcela maior desse segmento. Iremos começar a monetizar a nossa base instalada, entregando mais opções e deixando a produção mais rentável, com investimentos em produtos, tecnologia e pessoas”, afirma Rafael Nunes, CEO e Fundador da Ipê Digital.

A meta deve ser realizada com capital e a experiência dos profissionais por trás da Nuvini, que é liderada por Pierre Schurmann, um dos empresários que inauguraram o mercado de internet no Brasil. 

Por outro lado, a Ipê cresce de uma base pequena em termos de faturamento. A empresa não abre números, mas a Nuvini tem como alvo empresas de software como serviço com faturamento entre R$ 20 e R$ 50 milhões.