Imagem & Ação foi um dos jogos que foi para o digital: Foto: Baguete.

Super Trunfo, Cilada, Imagem & Ação. Se você tem mais de vinte anos, estes nomes foram familiares em sua infância. São jogos de cartas e tabuleiro clássicos de marcas como Grow e Estrela. O que eles tem em comum atualmente? Os três foram adaptados para o formato digital pela Sioux, produtora de conteúdo digital especializada em games.

Com 13 anos de mercado, a empresa paulista firmou contratos com duas das maiores fabricantes de brinquedos e jogos no país - Grow e Estrela - levando títulos clássicos para plataformas como web, iOS, Android e Windows Phone.

Com um grupo de cinquenta funcionários, em 2013 o estúdio faturou cerca de R$ 5,5 milhões em projetos, entre jogos sob encomenda e produções originais, com mais de 100 produtos desenvolvidos.

Além de jogos publicitários e educativos feitos para terceiros, o estúdio desenvolve games próprios internamente e os disponibiliza em marketplaces como a App Store, da Apple, e a Google Play, faturando no formato freemium (os jogos são grátis, mas upgrades e itens extras nos jogos são cobrados).

Para 2014, a empresa paulista esperar fechar o ano com um total de 300 produtos, alcançando um faturamento de até R$ 8 milhões, um incremento de 45% sobre a receita do ano passado.

Segundo destaca Danilo Parise, gerente de marketing da Sioux, a experiência de levar jogos reais para o digital começou no ano passado, com um contrato com a Grow. A empresa começou com os jogos Imagem & Ação e Perfil, que viraram apps. Depois disso, foi a vez do clássico Super Trunfo, que foi adaptado para um webapp, jogável nos browsers.

"Inicialmente foi um desafio, pois não é simplesmente levar as regras do jogo para um ambiente virtual. É preciso usar a plataforma para recriar a experiência do jogo real", explica Parise.

No Imagem & Ação original, o jogador precisa desenhar ou fazer mímicas para que o companheiro descubra. No caso da versão app, a "mímica" é feita através de desenhos via mouse ou touchscreen.

Segundo destaca Parise, o app de Perfil já teve mais de 350 mil downloads desde o ano passado e aproximadamente 150 mil partidas on-line do Super Trunfo já foram jogadas.

Como foi feita em um contrato específico com a Grow, os jogos licenciados pela fabricante de jogos de tabuleiro são grauitos e não renderam faturamento adicional para a empresa, um acordo diferente do que foi feito com a Estrela, em que foi adotado o formato freemium.

O primeiro jogo da Estrela a sair no formato digital foi Cilada. Outros jogos como Banco Imobiliário, Autorama, Pula Macaco, Detetive e Jogo da Vida também devem se juntar à lista.

A aposta no meio digital é uma estratégia essencial para a sobrevivência, como destaca o presidente da Grow, Marcelo Rovai. Segundo ele, esta é uma forma de levar jogos clássicos de gerações anteriores para uma faixa etária que só está atenta aos produtos eletrônicos.

"Os jogos são conhecidos por gerações passadas, mas são pouco famosos entre as crianças de 8 a 15 anos. Essa nova geração está muito ligada ao meio online e a digitalização leva essas marcas clássicas até elas", diz

Segundo Rovai, o objetivo com os produtos nos meios digitais é atrair a atenção do publico infantil para as plataformas físicas. Conforme Rovai, as vendas de jogos de tabuleiro não tiveram queda, mas migraram para um público consumidor de 15 a 30 anos de idade.

"Os jogos digitais nunca vão substituir os físicos. O tabuleiro possui um grau de interação que as mídias eletrônicas ainda não são capazes de reproduzir", avalia o executivo.